top of page
A construção do objeto de valor no clube de assinatura TAG Livros
Luiza Riveiro Gonçalves (UFF)
Em meio a uma diminuição do número de leitores brasileiros, como demonstrado na pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, observam-se diferentes comunidades de leitores que se utilizam da tecnologia para despertar o interesse pela leitura. Dentre essas comunidades, a TAG Livros se apresenta como um clube de assinatura cujo objetivo é estimular o consumo de livros a partir da venda de uma experiência literária. Ao assinar o clube, o internauta passa a receber, mensalmente, um kit composto por um livro surpresa em edição exclusiva, uma revista com conteúdos extras sobre a obra, um marcador de página e um mimo literário. Além disso, o assinante também pode acessar o aplicativo do clube, no qual é possível consumir conteúdos extras sobre o livro e o autor, avaliar livros, conversar com outros leitores, etc. Em busca de garantir a criação ou manutenção do hábito da leitura entre seus assinantes, a TAG reproduz um discurso programador (GREIMAS, 2014), estabelecendo os programas narrativos que devem ser realizados para que haja a leitura. A leitura passa, então, a ser composta por programas narrativos como: abrir a caixa, escutar a playlist, ler a revista, usar o mimo enviado, escutar o podcast, assistir aos vídeos do aplicativo, avaliar o kit etc. São esses programas de uso que garantem a realização do programa de base, o ler. No objeto-livro e nas cenas predicativas que compõem a prática de leitura na TAG Livros, circulam valores como o pertencimento à comunidade, a exclusividade, a cumplicidade, a surpresa, a alta qualidade e o reconhecimento como leitor. A análise busca observar a construção desse objeto de valor de forma a contribuir para a compreensão semiótica sobre as práticas de leitura contemporâneas.
Semiótica; Leitura; TAG Livros
bottom of page
