newsletter da ABES - dezembro, 2025
novidades para fechar o ano!
Nesta edição: apresentação da nova diretoria, nova identidade visual da ABES, lançamentos, eventos, nota semiótica escrita por Maurício Zouein e uma nota sobre o falecimento de Edward Lopes. Boa leitura!
Editorial: Nova Diretoria ABES 2025-2027
No último Congresso Internacional da ABES, em julho de 2025, foi eleita a nova diretoria da Associação para o biênio de 2025-2027. É com entusiasmo, responsabilidade e compromisso com a comunidade semiótica brasileira que aceitamos essa tarefa.
Formamos um grupo de pesquisadoras e pesquisadores na área da semiótica, em algumas de suas vertentes teóricas, com vínculos em instituições públicas e privadas sediadas em Minas Gerais e no interior de São Paulo. A nova diretoria reúne experiências complementares no ensino, na pesquisa, na extensão, na orientação acadêmica e na gestão universitária, com presença ativa em programas de pós-graduação, grupos de pesquisa, outras associações científicas e redes de cooperação nacionais e internacionais.
Nesse sentido, a nova diretoria da ABES é composta por:
Presidente: Conrado Moreira Mendes (PUC Minas);
Vice-presidenta: Daniervelin Pereira (UFMG);
Secretário-geral: Pablo Moreno Fernandes (PUC Minas);
Tesoureira: Matheux Schwartzmann (UNESP).
Buscamos conjugar continuidade e renovação, com disposição para dar seguimento a importantes ações das gestões anteriores e, ao mesmo tempo, abrir novos caminhos. Entre os compromissos que nos movem está o fortalecimento da ABES como espaço plural, democrático e representativo da diversidade epistemológica, institucional e identitária que caracteriza os estudos semióticos no Brasil.
Outro aspecto importante a destacar é que a maior parte dos membros da nova diretoria está vinculada a instituições de Minas Gerais, como a PUC Minas e a UFMG. Essa descentralização em relação ao eixo Rio–São Paulo representa um movimento estratégico e simbólico para a Associação, favorecendo a circulação territorial de seus eventos. Apostamos que a rotatividade de territórios e a redistribuição dos centros de decisão fortalecerão a ABES como entidade nacional.
Além disso, a nova diretoria tem compromisso central com a diversidade. Sua composição foi pensada levando em conta critérios de representatividade de gênero e étnico-raciais. Entendemos que a pluralidade dos sujeitos e dos olhares que constroem a semiótica no Brasil precisa se refletir na gestão da Associação. Defendemos uma Associação contra as desigualdades e aberta à escuta e à valorização de trajetórias diversas.
Entre os eixos estruturantes das ações da nova diretoria, destacamos:
Fortalecimento institucional e comunicação ativa, com ampliação da base de associadas/os, consolidação de uma política editorial da Associação e criação de canais permanentes de diálogo com a comunidade;
Valorização da diversidade teórica, promovendo a interlocução entre diferentes tradições semióticas;
Fomento à produção e à circulação científica, com apoio a eventos, publicações, ações de divulgação científica e formação de redes interinstitucionais;
Apoio à inserção e formação de novas gerações, com incentivo à participação ativa de estudantes de pós-graduação, jovens docentes e pesquisadoras/es iniciantes;
Promoção da equidade regional e institucional, estimulando a presença da ABES em regiões historicamente sub-representadas e ampliando seu alcance nacional.
Nesta newsletter, apresentamos o perfil de cada membro da diretoria. Compartilhamos também a atualização do logotipo da ABES e de sua identidade visual, além de informes sobre lançamentos, atividades dos associados e a nota semiótica escrita por Maurício Zouein (UFRR), que reflete sobre o papel da Semiótica na interpretação da Amazônia no contexto da COP 30.
Reafirmamos, por fim, nosso compromisso com uma gestão transparente, ética, colaborativa e participativa. Colocamo-nos à disposição da comunidade para escutar, dialogar e construir, de forma coletiva, os próximos passos da Associação Brasileira de Estudos Semióticos.
Boa leitura e boas festas!
Conrado Moreira Mendes (Presidente) - PUC Minas
Daniervelin Pereira (Vice-presidenta) - UFMG
Pablo Moreno Fernandes (Secretário-Geral) - PUC Minas
Matheux Schwartzmann (Tesoureira) - UNESP
Conheça a nova diretoria da ABES (2025-2027)
A diretoria da ABES para o biênio 2025–2027 é formada por pesquisadoras e pesquisadores de diferentes instituições e tradições teóricas, reunidos pelo compromisso com o fortalecimento da semiótica no Brasil. Conheça, a seguir, cada integrante da nova gestão.
Conrado Moreira Mendes (Presidente)

Coordenador (desde 2022) e docente permanente (desde 2017) do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social (PPGCOM) da PUC Minas. É Professor Adjunto IV da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG), lotado no Departamento de Comunicação Social. Doutor em Semiótica e Linguística Geral pela Universidade de São Paulo (2013), com estágio doutoral de um ano na Université Paris 8 Vincennes Saint-Denis, na França (2011-2012). Mestre em Estudos Linguísticos pela Universidade Federal de Minas Gerais (2009) e bacharel em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, pela mesma instituição (2006). Realizou estágio pós-doutoral no Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social (PPGCOM) da UFMG entre 2020 e 2022. É líder do Grupo de Pesquisa Mídia, Interação e Sentido (MIS|PPGCOM|PUC Minas), certificado pelo CNPq, o qual integra a Rede de Pesquisa em Semiótica, Interações e Materialidades Midiáticas. É membro pesquisador do Centro de Pesquisas Sociossemióticas da PUC-SP. É um dos organizadores das obras: Sociedade da desinformação e Infodemia (Selo PPGCOM/UFMG, 2021) e Em torno do acontecimento: uma homenagem a Claude Zilberberg (Appris, 2016) e autor de mais de 50 artigos que tratam, sobretudo, da produção de sentido de textos e processos midiáticos à luz da semiótica discursiva/sociossemiótica publicados em periódicos científicos qualificados. Desde 2020, pesquisa o tema da desinformação. Atua principalmente nas seguintes áreas: Semiótica Discursiva, Sociossemiótica e Comunicação.
Daniervelin Pereira (Vice-presidenta)

Professora da Faculdade de Letras na Universidade Federal de Minas Gerais desde 2018. Realizou pós-doutorado em 2024 na Université de Liège (Bélgica) e na Universidade Federal Fluminense. Tem doutorado em Semiótica e Linguística Geral pela Universidade de São Paulo (USP), com período-sanduíche na Université Paris 8 (Paris-FR), mestrado em Linguística Aplicada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e graduação em Letras-Licenciatura Português/Francês pela Faculdade de Letras da UFMG. Coordena com a profa. Ana Cristina Fricke Matte o Grupo de Pesquisa Texto Livre: Semiótica e Tecnologia, sendo uma de suas iniciativas a revista Texto Livre: Linguagem e Tecnologia (ISSN 1983-3652), da qual é editora-chefe. É membro do Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos (POSLIN) e do Mestrado Profissional em Letras (PROFLETRAS) da UFMG. Integra a comissão de semiótica da Abralin e da Anpoll. Atua principalmente nos seguintes campos: Semiótica Discursiva, Linguagem e tecnologia, Ensino-aprendizagem de Língua Portuguesa, Multiletramentos, Letramento acadêmico e Cultura Livre.
Pablo Moreno Fernandes (Secretário-Geral)

Professor da Faculdade de Comunicação e Artes da PUC Minas, atuando como docente permanente no Programa de Pós-graduação em Comunicação. Doutor em Ciências da Comunicação pela Escola de Comunicações e Artes da USP (2017), mestre em Comunicação pela PUC Minas (2009) e graduação em Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda pelo Centro Universitário Newton Paiva. É vice-líder do grupo de pesquisa em Comunicação, Raça e Gênero (Coragem) e integra o Grupo de Estudos Semióticos em Comunicação, Cultura e Consumo (GESC3) e o Grupo de Pesquisa Bertha. Atua, desde 2022, como editor da revista Dispositiva, periódico interinstitucional dos programas de pós-graduação em Comunicação da PUC Minas e da UFMG e, desde 2024, como editor da revista E-Compós. É vice-coordenador do GT Consumos e Processos de Comunicação da Associação Nacional dos programas de pós-graduação em Comunicação, Compós, (2025-2026). Pesquisa temas relacionados ao consumo, publicidade e cultura, a partir das teorias interseccionais e da semiótica peirceana.
Matheux Schwartzmann (Tesoureira)

Linguista não-binária, Livre-docente em Semiótica do discurso, Doutora em Linguística e Língua Portuguesa pela UNESP (2009), com estágio na Université de Limoges, França (PDSE/2006). Foi Coordenadora do Programa de Pós-graduação em Linguística e Língua Portuguesa da Faculdade de Ciências e Letras da Unesp, câmpus de Araraquara (SP), no período de maio de 2021 a maio de 2025. Tem se dedicado ao estudo do discurso, das práticas semióticas e das formas de vida, tendo tratado também, em sua produção, do estatuto do texto em semiótica. Seus projetos atuais estão centrados no estudo das identidades minorizadas, nos problemas relativos à construção dos discursos de classe, gênero e raça e no problema do viés algoritmo. Editou a Revista do GEL (2016-2020), Coordenou o GT de Semiótica da ANPOLL (2018-2020) e é líder do "Grupo de Pesquisa em Semiótica da Unesp - GPS" (FCLAr/Unesp), onde coordena o grupo de estudos "Semióticas transviadas". Atualmente é presidenta do GEL - Grupo de Estudos Linguísticos do Estado de São Paulo.
Atualização da identidade visual da ABES
Nesta primeira newsletter, apresentamos a atualização da identidade visual da ABES, desenvolvida pela professora Dulce Albarez (PUC Minas) em conjunto com as alunas e o aluno do curso de Publicidade e Propaganda da PUC Minas, campus Coração Eucarístico: Emília Souto, Neto Fagundes, Tereza Figueiredo e Thayla Santana, monitores do NEP – Núcleo de Experimentação Publicitária da Faculdade de Comunicação e Artes da PUC Minas. A nova identidade visual passa a contar também com um manual de marca e de aplicação. A atualização respondeu à necessidade de adequar a comunicação da Associação às exigências contemporâneas, especialmente nos ambientes digitais, garantindo maior legibilidade, coerência e reconhecimento institucional.
O processo envolveu o redesenho do logotipo e a definição de um sistema gráfico mais amplo, que mantém a centralidade da sigla, refina o tratamento tipográfico e confere maior equilíbrio visual ao conjunto, expressando continuidade e renovação. Para essa atualização, foi adotada a tipografia Aller, uma fonte sem serifa de caráter humanista, escolhida por sua legibilidade, clareza formal e adequação ao uso institucional. A cor verde-mata foi definida como cor principal, simbolizando o equilíbrio entre a força da natureza e a estabilidade humana.

O sistema visual inclui ainda uma paleta cromática alternativa, que dialoga com a cor principal e amplia as possibilidades de aplicação da marca. Cada cor da paleta representa uma das cinco regiões do Brasil, Sudeste, Centro-Oeste, Sul, Norte e Nordeste, reforçando o caráter nacional da identidade visual da ABES.

Pensando nas demandas da comunicação contemporânea, especialmente nos ambientes digitais e nas redes sociais, o logotipo passou também a contar com uma versão em formato vertical, que amplia sua versatilidade e assegura legibilidade e reconhecimento em diferentes suportes, sobretudo em telas e dispositivos móveis.

O manual de marca sistematiza as diretrizes de uso do logotipo, da paleta cromática e da tipografia institucional, garantindo padronização, coerência visual e unidade nas comunicações da Associação.
Eventos
Encontro da Ranauá
Aconteceu, nos dias 11 e 12 de novembro de 2025, o 2º Encontro Internacional da Rede de Pesquisadores em Comunicação e Semiótica da Amazônia. A atividade foi realizada de forma remota e contou com a participação de pesquisadores, estudantes e convidados de diferentes regiões do Brasil e do exterior.
O evento foi promovido pela Ranauá, Rede de Pesquisadores em Comunicação e Semiótica da Amazônia, e a programação incluiu conferências e apresentações de trabalhos, fortalecendo o intercâmbio científico e ampliando a rede de cooperação entre pesquisadores dedicados à compreensão da complexidade cultural e simbólica amazônica.
14ª Conferencia Regional da AISV / IAVS
De 9 a 11 de fevereiro de 2026, ocorre na USP a 14ª edição da conferência regional da AISV / IASV. Com o tema A tradução intersemiótica antes e depois do surgimento da Inteligência Artificial Generativa, o encontro pretende colocar em foco os contrastes entre a tradução assistida por computador com o que era feito antes do surgimento da Inteligência Artificial Generativa. O surgimento da IAG está mudando radicalmente o cenário da tradução intersemiótica e está provando ser um objeto de estudo valioso tanto do ponto de vista da semiótica quanto das ciências da linguagem. Outras linhas de investigação também são possíveis, e comparações entre os estilos e o funcionamento de diferentes modelos de disseminação (Midjourney, Stable Diffusion etc.) serão bem-vindas, assim como reflexões sobre as práticas (artísticas, políticas, publicitárias etc.) dentro das quais esses diferentes tipos de traduções intersemióticas são produzidos e através das quais circulam em diferentes áreas da sociedade.
Mais informações neste endereço.
Encontro Internacional da Abralin
O 14º INTERAB, Encontro Internacional da Abralin, acontecerá de 02 a 06 de março de 2026, na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Pela primeira vez em formato híbrido, o evento combina atividades presenciais e virtuais, ampliando o acesso e incentivando a participação de pesquisadoras, pesquisadores e estudantes de todas as regiões do Brasil e do exterior. O tema é Os desafios e avanços nos estudos da linguagem em um mundo em transformação. Em tempos de rápidas mudanças sociais, políticas, tecnológicas e ambientais, o encontro convida a comunidade linguística a refletir sobre o papel da linguagem na construção de mundos possíveis, nas disputas de sentidos e na mediação das experiências. Quarenta anos após sediar a primeira edição do congresso no Nordeste, Recife volta a receber a ABRALIN para um encontro que reafirma seu compromisso com a diversidade, a inclusão e a circulação do conhecimento científico em linguística. A semiótica está representada em três simpósios presenciais, um remoto e uma mesa redonda.
Mais informações neste endereço.
Curso sobre corpo, identidade e cultura na Universidade de Bolonha, nos dias 13 a 16 de janeiro de 2026
A pesquisadora Matheux Schwartzmann ministrará o curso “Regimes semióticos: corpo, identidade e cultura. Perspectivas entre Brasil e Itália”. O curso "Regimes Semióticos: Corpo, Identidade e Cultura", pretende explorar a interseção entre semiótica, cultura e identidade sob uma perspectiva comparativa entre Brasil e Itália. Ao longo de quatro sessões, serão discutidos temas centrais, como o universalismo semiótico e seus limites, além de refletir sobre a subjetividade, as narrativas e a produção de identidades dissidentes.
Conferência na Universidade Paris Cité, no quadro das atividades do PHILéPOL, no dia 20 de janeiro de 2026
A pesquisadora Matheux Schwartzmann fará a conferência La sémiotique comme théorie hégémonique, em que discutirá o impacto do projeto teórico de uma semiótica geral - que aspira à universalidade e a uma fala transparente (Barthes) - na consolidação de um viés hegemônico constitutivo da análise semiótica.
Matheux Schwartzmann escreve sobre linguagem neutra para Jornal da Unesp e para o Jornal científico The Conversation:
Linguagem neutra existe, sim
Lei que instituiu a Política Nacional de Linguagem Simples vai na contramão de iniciativas anteriores que reconheceram a existência das identidades não-binárias em políticas de saúde e na retificação de registro civil. Exclusão de pronomes de tratamento e pessoais não-binários de documentos públicos enfraquece cidadania e abre caminho para ataque às pessoas trans não-binárias.
Opinião: Proibindo a neutralidade, Política Nacional de Linguagem Simples nega direito a reconhecimento social
Ao determinar “não usar novas formas de flexão de gênero” em documentos públicos, a lei cria um universo legal que vai além das “regras gramaticais consolidadas”, afetando as pessoas que têm o direito de ter seu gênero reconhecido na língua e nas dinâmicas sociais.
Lançamentos
Ecossemiótica da Amazônia

Foi lançada recentemente a obra "Ecossemiótica na Amazônia: clima, cultura e diversidade". O livro, organizado por Maurício Elias Zouein (UFRR), Clotilde Perez (USP), Bruno Pompeu (USP), busca problematizar a crise dos chamados recursos naturais, a emergência climática, a urgência de se repensar nossa relação com o meio ambiente, da premente necessidade de integrarmos as pesquisas nos campos das ciências humanas e sociais aplicadas mais especificamente, das teorias da linguagem e da comunicação aos esforços políticos e sociais que devem dar base e estrutura para uma condição existencial planetária mais sustentável além de mais inclusiva, mais diversa, mais justa e mais responsável. A obra está disponível para download gratuito no portal de livros da USP. Disponível para download aqui.
Estudos semióticos (ISSN: 1980-4016)

Foi publicado em agosto de 2025 o Dossiê temático - Semiótica e Retórica, que reúne 11 artigos de autores nacionais e internacionais que abordam a compreensão das propriedades que condicionam os modos de funcionamento do discurso e dos processos que presidem a construção do sentido, como as operações de amplificação, diminuição e contraste e o reconhecimento da existência de uma dimensão persuasiva inerente ao exercício da linguagem, os quais passam a constituir o ponto de convergência entre Semiótica e Retórica, não só como disciplinas transversais que dialogam, mas principalmente como áreas que se entrecruzam, em um movimento de retorização da Semiótica e de semiotização da Retórica (a partir do editorial das organizadoras Juliana Di Fiori Pondian e Giovanna Longo). Disponível para download aqui.
Semeiosis: semiótica e transdisciplinaridade em revista (ISSN 2178-5368)

A edição de dezembro de 2025 traz nove artigos organizados, segundo o editor Leonardo Ripoll, sob um raciocínio peirceano em três tríades de textos. Na primeira tríade, agrupa estudos de cunho epistemológico; na segunda, artigos de pesquisas de semiótica aplicada e, na terceira, artigos com discussões sobre representação midiática. Disponível para download aqui.
Cadernos de Semiótica Aplicada (CASA) (ISSN 1679-3404)

A revista CASA publicou em dezembro de 2025 o dossiê Vozes do Antropoceno, que, por meio dos artigos reunidos, aborda a questão do Antropoceno e das crises ambientais como objeto de reflexão próprio das ciências que se questionam sobre as práticas significantes e interpretativas, relançando o diálogo entre semiótica e ciências sociais a partir das questões ecológicas contemporâneas. A iniciativa permitiu fortalecer o diálogo entre a tradição semiótica italiana – particularmente aquela que se reconhece como prolongamento do legado de Umberto Eco – e a comunidade semiótica brasileira, segundo os editores que organizaram o número: Carlo Andrea Tassinari, Jean Cristtus Portela e Flavia Karla Ribeiro Santos. Disponível para download aqui.
Divulgue suas atividades!
Envie suas atividades para a Newsletter da Abes.
Preencha as informações sobre a atividade neste formulário.
Quer se associar à ABES?
nota semiótica
por Maurício Zouein

ENSINA-ME A DECIFRAR-TE
No cenário de urgência que marca o século XXI, a Semiótica surge como uma bússola capaz de orientar o pensamento diante das tensões ambientais, culturais e políticas que atravessam a Amazônia. Nesse contexto, o papel do Núcleo de Pesquisa Semiótica da Amazônia (NUPS), da Universidade Federal de Roraima, mostrou-se importante. Há mais de duas décadas, o NUPS investiga a Amazônia como território de signos, consolidando-se como referência ao receber o Selo FELS de excelência em pesquisa. Esse legado sustenta a criação da Rede de Pesquisa em Comunicação e Semiótica da Amazônia (RANAUÁ), que reúne pesquisadores das universidades federais do Acre, Amazonas, Pará, Rondônia e Roraima. A rede propõe uma leitura interdisciplinar que integra sistemas de signos, processos comunicacionais e dinâmicas culturais, permitindo compreender por que a Amazônia permanece, paradoxalmente, tão conhecida e tão incompreendida.
Na COP 30 em Belém do Pará, realizamos o VI Encontro Internacional de Visualidades Amazônicas e o II Encontro Internacional da Rede de Pesquisadores em Semiótica da Amazônia. Durante nossos Encontros tentamos mostrar como a Semiótica é capaz de ampliar o horizonte de interpretação, lembrando que a floresta não é apenas um reservatório de carbono ou um regulador climático, mas um vasto organismo simbólico. A degradação ambiental libera CO₂, porém também interrompe narrativas, rompe cosmologias e enfraquece modos de vida que sustentam a diversidade de sentidos da região. Entendemos que somente uma ciência atenta aos processos de significação é capaz de compreender, de forma plena, a profundidade da crise que vivemos.
A COP 30 simbolizou um marco ao reposicionar o debate climático sob uma perspectiva amazônica. A Semiótica atuou como ponte entre o discurso global – metas de mitigação, transição energética, governança climática – e as realidades locais – saberes tradicionais, imaginários coletivos, ecossistemas de significado. Nosso papel enquanto semioticistas consistiu em mostrar que sustentabilidade não é apenas um projeto técnico, mas também simbólico: envolve linguagens, memórias e modos de interpretar o mundo.
O futuro da pesquisa semiótica na Amazônia aponta para expansão e diálogo. A força da RANAUÁ, aliada à trajetória do NUPS, consolida a participação científica da região em debates nacionais e internacionais, articulada à Associação Brasileira de Estudos Semióticos (ABES) e à Federação Latino-Americana de Semiótica (FELS). É nesse entrelaçamento entre o local e o global, entre a poesia da floresta e a precisão da ciência, que a Semiótica amazônica se afirma como força interpretativa do nosso tempo. A Amazônia – esse vasto corpo vivo, repleto de sinais, memórias, silêncios e ressonâncias – continua a nos interpelar com sua eloquência silenciosa. E a Semiótica, em resposta, sussurra com humildade e rigor: ensina-me a decifrar-te, pois somente decifrando-te poderemos habitar, com responsabilidade e sensibilidade, o futuro que ainda está por vir.
Maurício Zouein
Professor Associado da Universidade Federal de Roraima. Coordenador do Núcleo de Pesquisa Semiótica da Amazônia e Rede de Pesquisadores em Comunicação e Semiótica da Amazônia. Membro da ABES, CIEP, FELS e LabOrES
Nota de pesar

A Associação Brasileira de Estudos Semióticos (ABES) manifesta seu profundo pesar pelo falecimento do professor Edward Lopes, ocorrido em 19 de dezembro de 2025, aos 90 anos. Linguista, semioticista e escritor, Edward Lopes foi uma referência fundamental para os estudos da linguagem e da semiótica no Brasil. Professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp), teve papel decisivo na consolidação do campo, seja por sua atuação acadêmica, seja por sua produção intelectual, destacando-se obras como Fundamentos da linguística contemporânea, além da criação, em 1974, da revista Significação, marco incontornável na história dos estudos semióticos no país.
Edward Lopes foi também um dos responsáveis, juntamente com outros pesquisadores brasileiros, pela vinda de Algirdas Julien Greimas ao Brasil, pela primeira vez, na década de 1970. Essa visita representou um acontecimento decisivo, que transformou de maneira profunda a relação do Brasil com a semiótica discursiva, contribuindo para a formação de gerações de pesquisadores e para a consolidação do país como um polo relevante no cenário internacional dos estudos semióticos. Sua trajetória foi marcada pelo rigor teórico, pela sensibilidade crítica e pelo compromisso com a formação intelectual, deixando um legado duradouro para a comunidade acadêmica brasileira.
A ABES expressa suas mais sinceras condolências aos familiares, amigos, colegas e a toda a comunidade científica. Sua obra e seu pensamento permanecem vivos e continuarão a inspirar os estudos da linguagem e da semiótica no Brasil.
Diretoria da Associação Brasileira de Estudos Semióticos (ABES) Gestão 2025–2027


