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VII CONGRESSO INTERNACIONAL DA ABES

Texto de apresentação do tema

O tema do VII Congresso Internacional da ABES e os doze eixos temáticos, apresentados pela diretoria da ABES em português, espanhol, inglês e francês.

pt

PORTUGUÊS

VII Congresso Internacional da ABES

Semiótica a partir do Brasil

Territórios, saberes e teorias em diálogo

12 a 15 de julho de 2027

PUC Minas – Campus Coração Eucarístico · Belo Horizonte (MG)

Realização: Associação Brasileira de Estudos Semióticos (ABES)

O tema do VII Congresso da Associação Brasileira de Estudos Semióticos – ABES convida a comunidade científica a refletir sobre o papel da territorialidade na produção do conhecimento semiótico. Entendida para além de sua dimensão geográfica, a territorialidade compreende as relações históricas, sociais, culturais, políticas, ambientais e tecnológicas que constituem os processos de produção de sentido. Propor uma Semiótica a partir do Brasil significa, portanto, reconhecer que as teorias são confrontadas e reelaboradas pelos signos, pelas práticas e pelos objetos que procuram compreender.

Sob essa perspectiva, as diferentes tradições semióticas são convocadas a dialogar com questões centrais da experiência brasileira: os territórios, os biomas e a biodiversidade, incluindo os processos migratórios e suas relações com as transformações ambientais; as perspectivas decoloniais e os saberes originários; as perspectivas antirracistas e as epistemologias afro-brasileiras; as desigualdades, o reconhecimento e a justiça social; as perspectivas feministas, os gêneros e as sexualidades; a democracia, a polarização política e a intolerância; as culturas digitais, a plataformização e a inteligência artificial; a educação e a divulgação científica; as manifestações e performances artísticas; e as relações entre semiótica, cultura e vida social. O congresso promove, ainda, diálogos entre o Brasil e as tradições de produção do conhecimento semiótico do Sul e do Norte Global. A partir desse horizonte, organiza-se em doze eixos de reflexão e investigação:

Doze eixos temáticos

Eixo 1: Territórios, biomas e biodiversidade

A diversidade territorial brasileira, expressa na Amazônia, no Cerrado, na Caatinga, na Mata Atlântica, no Pantanal, no Pampa e nos ecossistemas costeiros e marinhos, faz do país um espaço singular para a reflexão semiótica. A riqueza de seus biomas e de sua biodiversidade coloca no centro do debate a crise climática, o desmatamento, as queimadas, a degradação ambiental, a perda de espécies e os desafios relacionados à conservação da natureza. Esses processos transformam territórios e modos de vida, alteram as relações entre seres humanos, demais seres vivos e ambiente e intensificam diferentes formas de mobilidade e deslocamento. Nesse contexto, as migrações – humanas ou de outras espécies, voluntárias ou forçadas – podem ser compreendidas em sua relação com mudanças ambientais, eventos climáticos extremos, conflitos territoriais, desigualdades e disputas por recursos. Migrações internas e internacionais, deslocamentos de populações indígenas e comunidades tradicionais, refúgio climático e alterações nos fluxos migratórios constituem, assim, objetos relevantes para a investigação semiótica. Em diálogo com os debates sobre o Antropoceno e as crises ecológicas contemporâneas, perspectivas como a ecossemiótica e a biossemiótica permitem investigar os sentidos produzidos por essas transformações, mobilidades e formas de coexistência, contribuindo para a formulação de novas questões e perspectivas teóricas.

Eixo 2: Perspectivas decoloniais e saberes originários

Essa diversidade territorial, contudo, não pode ser dissociada do processo de colonização que marcou a ocupação e a transformação do território brasileiro. A formação do Brasil é marcada pela invasão colonial, pelo extermínio de parte significativa dos povos originários e pela expropriação de seus territórios. Ao longo dos séculos, suas populações, suas línguas e seus saberes foram frequentemente invisibilizados, marginalizados e exotizados, apesar da extraordinária diversidade de suas culturas e formas de vida. Ao mesmo tempo, as cosmologias e epistemologias indígenas, com suas diferentes maneiras de compreender as relações entre seres humanos, natureza, espiritualidade e produção de sentido, constituem uma contribuição decisiva para a ampliação do repertório conceitual da semiótica, ao questionarem pressupostos consolidados e perspectivas restritas às tradições ocidentais.

Eixo 3: Perspectivas antirracistas e epistemologias afro-brasileiras

Ao processo de colonização articulou-se outro elemento decisivo para a formação da sociedade brasileira: um sistema escravista sustentado, durante cerca de três séculos e meio, pela escravização de pessoas africanas e afrodescendentes. A abolição formal desse sistema, em 1888, não foi acompanhada de políticas estruturadas de reparação, inclusão social e garantia de direitos para a população negra, o que contribuiu para a perpetuação de estruturas de exclusão cujos efeitos permanecem na sociedade brasileira. O racismo estrutural, as persistentes desigualdades raciais, a sub-representação da população negra em diferentes espaços sociais e midiáticos e a reprodução de estereótipos evidenciam a continuidade desses processos históricos nas práticas sociais e na produção de sentidos. Ao mesmo tempo, as culturas afro-brasileiras – em suas expressões artísticas, religiosas, linguísticas e estéticas – e as contribuições dos estudos sobre raça ampliam e enriquecem a reflexão semiótica, ao introduzirem perspectivas fundamentais sobre memória, identidade, alteridade, poder, resistência e representatividade.

Eixo 4: Desigualdades, reconhecimento e justiça social

A desigualdade social constitui um dos traços mais persistentes da realidade brasileira, manifestando-se na concentração de renda e nas diferenças de acesso à educação, à saúde, à moradia, ao trabalho, à cultura, às tecnologias e à participação política. Essas assimetrias, atravessadas por marcadores de classe, raça, gênero e território, condicionam modos de vida, restringem direitos e produzem diferentes formas de exclusão e vulnerabilidade. Seus efeitos alcançam também a circulação dos discursos, as formas de representação e as disputas por visibilidade, pertencimento e reconhecimento. Ao investigar como essas relações de poder participam da produção de sentidos, a semiótica contribui para compreender tanto a naturalização das desigualdades quanto os discursos e práticas de resistência, reivindicação de direitos e construção da justiça social.

Eixo 5: Perspectivas feministas, gêneros e sexualidades

As relações de gênero e sexualidade na sociedade brasileira são historicamente atravessadas pelo patriarcado, que naturalizou hierarquias, definiu representações de masculinidade e feminilidade e distribuiu de forma desigual os lugares de poder. Os estudos feministas e as pesquisas sobre gênero, sexualidade e experiências trans problematizam essas estruturas e oferecem novas perspectivas para compreender identidades, corpos e performances. Em meio aos debates públicos contemporâneos, essas abordagens desafiam categorias consolidadas e suscitam questões sobre representação, reconhecimento, normatividade e produção de sentido, ampliando o campo da investigação semiótica.

Eixo 6: Democracia, polarização política e intolerância

As diferentes clivagens históricas e sociais que atravessam a sociedade brasileira repercutem diretamente na vida política contemporânea. A história republicana do país é marcada por períodos de ruptura institucional e por experiências autoritárias cujos efeitos ainda se fazem sentir no presente. A consolidação da democracia permanece um processo em construção, continuamente desafiado pela polarização política, pela circulação da desinformação, pelos discursos de ódio, pelas diferentes formas de intolerância e pelo fortalecimento de movimentos que colocam em risco a ordem democrática. Episódios recentes, como os ataques às sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023, evidenciam a centralidade dessas questões para a compreensão dos processos contemporâneos de produção de sentido e reafirmam a importância da semiótica para investigar fenômenos contemporâneos como a desinformação, a crise epistêmica nas instituições, a polarização política, entre outros.

Eixo 7: Culturas digitais, plataformização e inteligência artificial

Grande parte dessas disputas passa hoje pelas infraestruturas digitais que organizam a produção, a circulação e a interpretação de signos e discursos. A expansão das plataformas digitais, da inteligência artificial generativa e dos processos de plataformização reconfigura continuamente essas dinâmicas, desafiando categorias consolidadas da teoria semiótica e colocando novos problemas para a investigação. Compreender esses fenômenos implica investigar o papel dos algoritmos, da plataformização, da automação e das novas formas de interação na constituição dos sentidos, ampliando o escopo da investigação semiótica diante de fenômenos emergentes que demandam novas perguntas, novos métodos e novas categorias analíticas.

Eixo 8: Semiótica, educação e divulgação científica

As articulações entre semiótica e educação constituem uma vertente relevante da pesquisa semiótica brasileira. O eixo contempla estudos sobre ensino e aprendizagem, multiletramentos, transposição didática e formas de inserção da semiótica em diferentes contextos educacionais. Abrange também a análise de textos, discursos e práticas pedagógicas, dos documentos que orientam a educação e dos diálogos estabelecidos com outras áreas do conhecimento. Nesse âmbito, a divulgação científica apresenta-se como um campo privilegiado para investigar os processos de produção, tradução e circulação social do conhecimento. Interessa compreender como conceitos, métodos e resultados científicos são transformados em diferentes linguagens e formatos, bem como os efeitos de sentido, as estratégias de legitimação e as relações entre especialistas e públicos envolvidos nesse processo. O eixo acolhe ainda pesquisas sobre os discursos midiáticos que chegam aos espaços educacionais, incluindo a desinformação, as notícias falsas, a intolerância e o negacionismo científico. Contempla, por fim, os desafios relacionados ao uso da inteligência artificial, das plataformas digitais e de outras tecnologias na educação e na comunicação pública da ciência.

Eixo 9: Manifestações e performances artísticas

A diversidade das manifestações artísticas produzidas no Brasil constitui um campo privilegiado para a investigação semiótica. Literatura, música, canção, artes visuais, cinema, audiovisual, teatro, dança, performance e outras formas de criação articulam diferentes linguagens, suportes, materialidades, participando ativamente da elaboração e da disputa de imaginários sociais. Marcadas por diálogos entre tradições locais e transnacionais, matrizes populares e eruditas, práticas ancestrais e experimentações contemporâneas, essas manifestações dão forma a experiências históricas, políticas, territoriais e afetivas. O eixo acolhe estudos sobre os processos de produção de sentido nas artes e sobre suas transformações estéticas, técnicas e midiáticas, considerando tanto a especificidade de cada linguagem quanto as relações intersemióticas estabelecidas entre diferentes sistemas de signos. Interessa, ainda, investigar as performances artísticas como espaços de criação, memória, resistência, reconhecimento e transformação social, capazes de interrogar e renovar as próprias categorias da teoria semiótica.

Eixo 10: Semiótica, cultura e vida social

As práticas culturais e as diferentes esferas da vida social constituem espaços fundamentais de produção, circulação e transformação dos sentidos. Fenômenos como o esporte, a religião, os jogos, as festas, a moda, a alimentação, o turismo e as práticas cotidianas mobilizam valores, crenças, identidades, paixões e formas de pertencimento, ao mesmo tempo que evidenciam tensões e disputas presentes na sociedade brasileira. Sua investigação permite compreender como comunidades se constituem, como tradições são preservadas ou reelaboradas e como modos de vida adquirem expressão por meio de rituais, narrativas, objetos, corpos, espaços e interações. O eixo reúne pesquisas dedicadas às múltiplas relações entre semiótica, cultura e sociabilidade, contemplando tanto práticas institucionalizadas quanto manifestações populares, comunitárias e cotidianas.

Eixo 11: Diálogos entre o Brasil e o Sul Global

Ao mesmo tempo, o tema convida à reflexão sobre a produção do conhecimento semiótico no Sul Global. A proposta de uma Semiótica a partir do Brasil não busca circunscrever a teoria à experiência brasileira, mas tomar o Brasil como ponto de partida para um diálogo com outras realidades marcadas por experiências históricas análogas. Processos como o colonialismo, diferentes formas de dominação e violência, as profundas desigualdades sociais, os conflitos ambientais e as crises da democracia atravessam, em diferentes configurações, inúmeras sociedades do Sul Global. Cada uma delas, contudo, produz configurações históricas, sociais, culturais e políticas próprias, suscitando questões singulares para a investigação semiótica. É desse diálogo entre experiências compartilhadas e trajetórias particulares que emerge um campo fértil para o desenvolvimento da teoria semiótica. Nesse horizonte, perspectivas como a interseccionalidade, a decolonialidade e outras abordagens críticas contribuem para compreender como diferentes experiências históricas e territoriais participam do desenvolvimento da teoria semiótica ao suscitarem novos problemas para a investigação.

Eixo 12: Diálogos entre o Brasil e o Norte Global

Ao reunir integrantes da comunidade semiótica brasileira e internacional de diferentes tradições teóricas, o VII Congresso Internacional da ABES pretende promover um diálogo em que a experiência brasileira sirva de ponto de partida para uma reflexão mais ampla sobre as relações entre teoria semiótica e territorialidade. Nesse sentido, a proposta de uma Semiótica a partir do Brasil constitui uma perspectiva heurística que convida a comunidade semiótica internacional a refletir sobre como diferentes experiências históricas, sociais, culturais e políticas participam da elaboração, do desenvolvimento e da circulação da teoria semiótica. A comunidade internacional do Norte Global também é convidada a dialogar com essa perspectiva com suas próprias tradições de pesquisa, de seus objetos e de suas realidades socioculturais, ampliando o debate sobre as múltiplas formas de produção do conhecimento semiótico. Desse modo, o Brasil afirma-se não apenas como espaço de investigação, mas também como lugar de produção, circulação e renovação da produção de conhecimento no campo da semiótica.

* * *

Diante desse panorama, os eixos propostos não se limitam a campos de aplicação das teorias semióticas. As questões que mobilizam desafiam modelos consolidados, exigem novos instrumentos conceituais e contribuem para a própria elaboração teórica. Mais do que interpretar os fenômenos brasileiros por meio de categorias previamente constituídas, trata-se de reconhecer que os territórios, os saberes, as práticas e as experiências em análise também interrogam, transformam e renovam a semiótica. É nesse diálogo que uma Semiótica a partir do Brasil se afirma como espaço plural de produção, circulação e renovação de conhecimentos e teorias situadas.

Belo Horizonte, agosto de 2026.

Conrado Moreira Mendes

Presidente

Daniervelin Pereira

Vice-presidenta

Pablo Moreno Fernandes

Secretário

Matheux Schwartzmann

Tesoureira

es

ESPAÑOL

VII Congreso Internacional de la ABES

Semiótica desde Brasil

Territorios, saberes y teorías en diálogo

Del 12 al 15 de julio de 2027

PUC Minas – Campus Coração Eucarístico · Belo Horizonte, Brasil

Organiza: Associação Brasileira de Estudos Semióticos (Asociación Brasileña de Estudios Semióticos, ABES)

El tema del VII Congreso de la Asociación Brasileña de Estudios Semióticos – ABES invita a la comunidad científica a reflexionar sobre el papel de la territorialidad en la producción del conocimiento semiótico. Entendida más allá de su dimensión geográfica, la territorialidad comprende las relaciones históricas, sociales, culturales, políticas, ambientales y tecnológicas que constituyen los procesos de producción de sentido. Proponer una Semiótica desde Brasil significa, por tanto, reconocer que las teorías son confrontadas y reelaboradas por los signos, las prácticas y los objetos que buscan comprender.

Bajo esta perspectiva, las diferentes tradiciones semióticas son convocadas a dialogar con cuestiones centrales de la experiencia brasileña: los territorios, los biomas y la biodiversidad, incluyendo los procesos migratorios y sus relaciones con las transformaciones ambientales; las perspectivas decoloniales y los saberes originarios; las perspectivas antirracistas y las epistemologías afrobrasileñas; las desigualdades, el reconocimiento y la justicia social; las perspectivas feministas, los géneros y las sexualidades; la democracia, la polarización política y la intolerancia; las culturas digitales, la plataformización y la inteligencia artificial; la educación y la divulgación científica; las manifestaciones y performances artísticas; y las relaciones entre semiótica, cultura y vida social. El congreso promueve, además, diálogos entre Brasil y las tradiciones de producción del conocimiento semiótico del Sur y del Norte Global. A partir de este horizonte, se organiza en doce ejes de reflexión e investigación:

Doce ejes temáticos

Eje 1: Territorios, biomas y biodiversidad

La diversidad territorial brasileña, expresada en la Amazonia, el Cerrado, la Caatinga, la Mata Atlántica, el Pantanal, el Pampa y los ecosistemas costeros y marinos, hace del país un espacio singular para la reflexión semiótica. La riqueza de sus biomas y de su biodiversidad sitúa en el centro del debate la crisis climática, la deforestación, los incendios, la degradación ambiental, la pérdida de especies y los desafíos relacionados con la conservación de la naturaleza. Estos procesos transforman territorios y modos de vida, alteran las relaciones entre seres humanos, demás seres vivos y ambiente, e intensifican diferentes formas de movilidad y desplazamiento. En este contexto, las migraciones – humanas o de otras especies, voluntarias o forzadas – pueden ser comprendidas en su relación con cambios ambientales, eventos climáticos extremos, conflictos territoriales, desigualdades y disputas por recursos. Las migraciones internas e internacionales, los desplazamientos de poblaciones indígenas y comunidades tradicionales, el refugio climático y las alteraciones en los flujos migratorios constituyen, así, objetos relevantes para la investigación semiótica. En diálogo con los debates sobre el Antropoceno y las crisis ecológicas contemporáneas, perspectivas como la ecosemiótica y la biosemiótica permiten investigar los sentidos producidos por estas transformaciones, movilidades y formas de coexistencia, contribuyendo a la formulación de nuevas preguntas y perspectivas teóricas.

Eje 2: Perspectivas decoloniales y saberes originarios

Esta diversidad territorial, sin embargo, no puede disociarse del proceso de colonización que marcó la ocupación y la transformación del territorio brasileño. La formación de Brasil está marcada por la invasión colonial, el exterminio de una parte significativa de los pueblos originarios y la expropiación de sus territorios. A lo largo de los siglos, sus poblaciones, sus lenguas y sus saberes fueron frecuentemente invisibilizados, marginados y exotizados, a pesar de la extraordinaria diversidad de sus culturas y formas de vida. Al mismo tiempo, las cosmologías y epistemologías indígenas, con sus diferentes maneras de comprender las relaciones entre seres humanos, naturaleza, espiritualidad y producción de sentido, constituyen una contribución decisiva para la ampliación del repertorio conceptual de la semiótica, al cuestionar presupuestos consolidados y perspectivas restringidas a las tradiciones occidentales.

Eje 3: Perspectivas antirracistas y epistemologías afrobrasileñas

Al proceso de colonización se articuló otro elemento decisivo para la formación de la sociedad brasileña: un sistema esclavista sostenido, durante cerca de tres siglos y medio, por la esclavización de personas africanas y afrodescendientes. La abolición formal de este sistema, en 1888, no fue acompañada de políticas estructuradas de reparación, inclusión social y garantía de derechos para la población negra, lo que contribuyó a la perpetuación de estructuras de exclusión cuyos efectos permanecen en la sociedad brasileña. El racismo estructural, las persistentes desigualdades raciales, la subrepresentación de la población negra en diferentes espacios sociales y mediáticos y la reproducción de estereotipos evidencian la continuidad de estos procesos históricos en las prácticas sociales y en la producción de sentidos. Al mismo tiempo, las culturas afrobrasileñas – en sus expresiones artísticas, religiosas, lingüísticas y estéticas – y las contribuciones de los estudios sobre raza amplían y enriquecen la reflexión semiótica, al introducir perspectivas fundamentales sobre memoria, identidad, alteridad, poder, resistencia y representatividad.

Eje 4: Desigualdades, reconocimiento y justicia social

La desigualdad social constituye uno de los rasgos más persistentes de la realidad brasileña, manifestándose en la concentración de ingresos y en las diferencias de acceso a la educación, la salud, la vivienda, el trabajo, la cultura, las tecnologías y la participación política. Estas asimetrías, atravesadas por marcadores de clase, raza, género y territorio, condicionan modos de vida, restringen derechos y producen diferentes formas de exclusión y vulnerabilidad. Sus efectos alcanzan también la circulación de los discursos, las formas de representación y las disputas por visibilidad, pertenencia y reconocimiento. Al investigar cómo estas relaciones de poder participan en la producción de sentidos, la semiótica contribuye a comprender tanto la naturalización de las desigualdades como los discursos y prácticas de resistencia, reivindicación de derechos y construcción de la justicia social.

Eje 5: Perspectivas feministas, géneros y sexualidades

Las relaciones de género y sexualidad en la sociedad brasileña están históricamente marcadas por el patriarcado, que naturalizó jerarquías, definió representaciones de masculinidad y feminidad y distribuyó de forma desigual los lugares de poder. Los estudios feministas y las investigaciones sobre género, sexualidad y experiencias trans problematizan estas estructuras y ofrecen nuevas perspectivas para comprender identidades, cuerpos y performances. En medio de los debates públicos contemporáneos, estos enfoques desafían categorías consolidadas y suscitan preguntas sobre representación, reconocimiento, normatividad y producción de sentido, ampliando el campo de la investigación semiótica.

Eje 6: Democracia, polarización política e intolerancia

Las diferentes fisuras históricas y sociales que atraviesan la sociedad brasileña repercuten directamente en la vida política contemporánea. La historia republicana del país está marcada por períodos de ruptura institucional y por experiencias autoritarias cuyos efectos aún se hacen sentir en el presente. La consolidación de la democracia sigue siendo un proceso en construcción, continuamente desafiado por la polarización política, la circulación de la desinformación, los discursos de odio, las diferentes formas de intolerancia y el fortalecimiento de movimientos que ponen en riesgo el orden democrático. Episodios recientes, como los ataques a las sedes de los Tres Poderes el 8 de enero de 2023, evidencian la centralidad de estas cuestiones para la comprensión de los procesos contemporáneos de producción de sentido y reafirman la importancia de la semiótica para investigar fenómenos contemporáneos tales como la desinformación, la crisis epistémica en las instituciones, la polarización política, entre otros aspectos.

Eje 7: Culturas digitales, plataformización e inteligencia artificial

Gran parte de estas disputas pasa hoy por las infraestructuras digitales que organizan la producción, la circulación y la interpretación de signos y discursos. La expansión de las plataformas digitales, de la inteligencia artificial generativa y de los procesos de plataformización reconfigura continuamente estas dinámicas, desafiando categorías consolidadas de la teoría semiótica y planteando nuevos problemas para la investigación. Comprender estos fenómenos implica investigar el papel de los algoritmos, la plataformización, la automatización y las nuevas formas de interacción en la constitución de los sentidos, ampliando el alcance de la investigación semiótica frente a fenómenos emergentes que demandan nuevas preguntas, nuevos métodos y nuevas categorías analíticas.

Eje 8: Semiótica, educación y divulgación científica

Las articulaciones entre semiótica y educación constituyen una vertiente relevante de la investigación semiótica brasileña. El eje contempla estudios sobre enseñanza y aprendizaje, multialfabetizaciones, transposición didáctica y formas de inserción de la semiótica en diferentes contextos educativos. Abarca también el análisis de textos, discursos y prácticas pedagógicas, de los documentos que orientan la educación y de los diálogos establecidos con otras áreas del conocimiento. En este ámbito, la divulgación científica se presenta como un campo privilegiado para investigar los procesos de producción, traducción y circulación social del conocimiento. Interesa comprender cómo conceptos, métodos y resultados científicos son transformados en diferentes lenguajes y formatos, así como los efectos de sentido, las estrategias de legitimación y las relaciones entre especialistas y públicos involucrados en este proceso. El eje acoge además investigaciones sobre los discursos mediáticos que llegan a los espacios educativos, incluyendo la desinformación, las noticias falsas, la intolerancia y el negacionismo científico. Contempla, finalmente, los desafíos relacionados con el uso de la inteligencia artificial, las plataformas digitales y otras tecnologías en la educación y en la comunicación pública de la ciencia.

Eje 9: Manifestaciones y performances artísticas

La diversidad de las manifestaciones artísticas producidas en Brasil constituye un campo privilegiado para la investigación semiótica. Literatura, música, canción, artes visuales, cine, audiovisual, teatro, danza, performance y otras formas de creación articulan diferentes lenguajes, soportes, materialidades, participando activamente en la elaboración y en la disputa de imaginarios sociales. Marcadas por diálogos entre tradiciones locales y transnacionales, matrices populares y eruditas, prácticas ancestrales y experimentaciones contemporáneas, estas manifestaciones dan forma a experiencias históricas, políticas, territoriales y afectivas. El eje acoge estudios sobre los procesos de producción de sentido en las artes y sobre sus transformaciones estéticas, técnicas y mediáticas, considerando tanto la especificidad de cada lenguaje como las relaciones intersemióticas establecidas entre diferentes sistemas de signos. Interesa, además, investigar las performances artísticas como espacios de creación, memoria, resistencia, reconocimiento y transformación social, capaces de interrogar y renovar las propias categorías de la teoría semiótica.

Eje 10: Semiótica, cultura y vida social

Las prácticas culturales y las diferentes esferas de la vida social constituyen espacios fundamentales de producción, circulación y transformación de los sentidos. Fenómenos como el deporte, la religión, los juegos, las fiestas, la moda, la alimentación, el turismo y las prácticas cotidianas movilizan valores, creencias, identidades, pasiones y formas de pertenencia, al mismo tiempo que evidencian tensiones y disputas presentes en la sociedad brasileña. Su investigación permite comprender cómo se constituyen las comunidades, cómo se preservan o reelaboran las tradiciones y cómo los modos de vida adquieren expresión a través de rituales, narrativas, objetos, cuerpos, espacios e interacciones. El eje reúne investigaciones dedicadas a las múltiples relaciones entre semiótica, cultura y sociabilidad, contemplando tanto prácticas institucionalizadas como manifestaciones populares, comunitarias y cotidianas.

Eje 11: Diálogos entre Brasil y el Sur Global

Al mismo tiempo, el tema invita a la reflexión sobre la producción del conocimiento semiótico en el Sur Global. La propuesta de una Semiótica desde Brasil no busca circunscribir la teoría a la experiencia brasileña, sino tomar a Brasil como punto de partida para un diálogo con otras realidades marcadas por experiencias históricas análogas. Procesos como el colonialismo, diferentes formas de dominación y violencia, las profundas desigualdades sociales, los conflictos ambientales y las crisis de la democracia atraviesan, en diferentes configuraciones, numerosas sociedades del Sur Global. Cada una de ellas, sin embargo, produce configuraciones históricas, sociales, culturales y políticas propias, suscitando preguntas singulares para la investigación semiótica. Es de este diálogo entre experiencias compartidas y trayectorias particulares que emerge un campo fértil para el desarrollo de la teoría semiótica. En este horizonte, perspectivas como la interseccionalidad, la decolonialidad y otros enfoques críticos contribuyen a comprender cómo diferentes experiencias históricas y territoriales participan en el desarrollo de la teoría semiótica al suscitar nuevos problemas para la investigación.

Eje 12: Diálogos entre Brasil y el Norte Global

Al reunir a integrantes de la comunidad semiótica brasileña e internacional de diferentes tradiciones teóricas, el VII Congreso Internacional de la ABES pretende promover un diálogo en el que la experiencia brasileña sirva de punto de partida para una reflexión más amplia sobre las relaciones entre teoría semiótica y territorialidad. En este sentido, la propuesta de una Semiótica desde Brasil constituye una perspectiva heurística que invita a la comunidad semiótica internacional a reflexionar sobre cómo diferentes experiencias históricas, sociales, culturales y políticas participan en la elaboración, el desarrollo y la circulación de la teoría semiótica. La comunidad internacional del Norte Global también está invitada a dialogar con esta perspectiva con sus propias tradiciones de investigación, sus objetos y sus realidades socioculturales, ampliando el debate sobre las múltiples formas de producción del conocimiento semiótico. De este modo, Brasil se afirma no solo como espacio de investigación, sino también como lugar de producción, circulación y renovación de la producción de conocimiento en el campo de la semiótica.

* * *

Ante este panorama, los ejes propuestos no se limitan a campos de aplicación de las teorías semióticas. Las preguntas que movilizan desafían modelos consolidados, exigen nuevos instrumentos conceptuales y contribuyen a la propia elaboración teórica. Más que interpretar los fenómenos brasileños a través de categorías previamente constituidas, se trata de reconocer que los territorios, los saberes, las prácticas y las experiencias en análisis también interrogan, transforman y renuevan la semiótica. Es en este diálogo que una Semiótica desde Brasil se afirma como espacio plural de producción, circulación y renovación de conocimientos y teorías situadas.

Belo Horizonte, agosto de 2026.

Conrado Moreira Mendes

Presidente

Daniervelin Pereira

Vicepresidenta

Pablo Moreno Fernandes

Secretario

Matheux Schwartzmann

Tesorera

en

ENGLISH

VII International Congress of ABES

Semiotics from Brazil

Territories, forms of knowledge and theories in dialogue

12–15 July 2027

PUC Minas – Campus Coração Eucarístico · Belo Horizonte, Brazil

Organized by the Associação Brasileira de Estudos Semióticos (Brazilian Association of Semiotic Studies, ABES)

The theme of the VII Congress of the Brazilian Association of Semiotic Studies – ABES – invites the scientific community to reflect on the role of territoriality in the production of semiotic knowledge. Understood beyond its geographical dimension, territoriality encompasses the historical, social, cultural, political, environmental and technological relations that constitute the processes of meaning production. Proposing a Semiotics from Brazil means, therefore, recognizing that theories are confronted and re-elaborated by the signs, practices and objects they seek to understand.

From this perspective, the different semiotic traditions are called upon to dialogue with central issues of the Brazilian experience: territories, biomes and biodiversity, including migratory processes and their relations with environmental transformations; decolonial perspectives and indigenous knowledge; anti-racist perspectives and Afro-Brazilian epistemologies; inequalities, recognition and social justice; feminist perspectives, genders and sexualities; democracy, political polarization and intolerance; digital cultures, platformization and artificial intelligence; education and science communication; artistic manifestations and performances; and the relations between semiotics, culture and social life. The congress also promotes dialogues between Brazil and the semiotic knowledge production traditions of the Global South and North. From this horizon, it is organized into twelve axes of reflection and investigation:

Twelve thematic axes

Axis 1: Territories, biomes and biodiversity

Brazil's territorial diversity, expressed in the Amazon, the Cerrado, the Caatinga, the Atlantic Forest, the Pantanal, the Pampa and the coastal and marine ecosystems, makes the country a unique space for semiotic reflection. The richness of its biomes and biodiversity places at the center of the debate the climate crisis, deforestation, fires, environmental degradation, species loss and the challenges related to nature conservation. These processes transform territories and ways of life, alter the relations between human beings, other living beings and the environment, and intensify different forms of mobility and displacement. In this context, migrations – human or of other species, voluntary or forced – can be understood in relation to environmental changes, extreme climate events, territorial conflicts, inequalities and disputes over resources. Internal and international migrations, displacements of indigenous populations and traditional communities, climate refuge and changes in migratory flows constitute, therefore, relevant objects for semiotic investigation. In dialogue with the debates on the Anthropocene and contemporary ecological crises, perspectives such as ecosemiotics and biosemiotics make it possible to investigate the meanings produced by these transformations, mobilities and forms of coexistence, contributing to the formulation of new questions and theoretical perspectives.

Axis 2: Decolonial perspectives and indigenous knowledge

This territorial diversity, however, cannot be dissociated from the colonization process that marked the occupation and transformation of Brazilian territory. The formation of Brazil is marked by colonial invasion, the extermination of a significant part of the indigenous peoples and the expropriation of their territories. Over the centuries, their populations, languages and knowledge have often been invisibilized, marginalized and exoticized, despite the extraordinary diversity of their cultures and ways of life. At the same time, indigenous cosmologies and epistemologies, with their different ways of understanding the relations between human beings, nature, spirituality and meaning production, constitute a decisive contribution to the expansion of the conceptual repertoire of semiotics, by questioning consolidated assumptions and perspectives restricted to Western traditions.

Axis 3: Anti-racist perspectives and Afro-Brazilian epistemologies

Articulated with the colonization process was another decisive element for the formation of Brazilian society: a slave system sustained, for about three and a half centuries, by the enslavement of African and Afro-descendant people. The formal abolition of this system, in 1888, was not accompanied by structured policies of reparation, social inclusion and guarantee of rights for the Black population, which contributed to the perpetuation of exclusion structures whose effects remain in Brazilian society. Structural racism, persistent racial inequalities, the underrepresentation of the Black population in different social and media spaces and the reproduction of stereotypes evidence the continuity of these historical processes in social practices and meaning production. At the same time, Afro-Brazilian cultures – in their artistic, religious, linguistic and aesthetic expressions – and the contributions of race studies broaden and enrich semiotic reflection, by introducing fundamental perspectives on memory, identity, alterity, power, resistance and representativeness.

Axis 4: Inequalities, recognition and social justice

Social inequality constitutes one of the most persistent traits of Brazilian reality, manifesting itself in income concentration and in differences in access to education, health, housing, work, culture, technologies and political participation. These asymmetries, crossed by markers of class, race, gender and territory, condition ways of life, restrict rights and produce different forms of exclusion and vulnerability. Their effects also reach the circulation of discourses, forms of representation and disputes over visibility, belonging and recognition. By investigating how these power relations participate in meaning production, semiotics contributes to understanding both the naturalization of inequalities and the discourses and practices of resistance, claim for rights and construction of social justice.

Axis 5: Feminist perspectives, genders and sexualities

Gender and sexuality relations in Brazilian society are historically crossed by patriarchy, which naturalized hierarchies, defined representations of masculinity and femininity and unequally distributed places of power. Feminist studies and research on gender, sexuality and trans experiences problematize these structures and offer new perspectives for understanding identities, bodies and performances. Amid contemporary public debates, these approaches challenge consolidated categories and raise questions about representation, recognition, normativity and meaning production, expanding the field of semiotic investigation.

Axis 6: Democracy, political polarization and intolerance

The different historical and social cleavages that cross Brazilian society have a direct impact on contemporary political life. The country's republican history is marked by periods of institutional rupture and by authoritarian experiences whose effects are still felt in the present. The consolidation of democracy remains a process under construction, continually challenged by political polarization, the circulation of disinformation, hate speech, different forms of intolerance and the strengthening of movements that put democratic order at risk. Recent episodes, such as the attacks on the headquarters of the Three Powers on January 8, 2023, evidence the centrality of these issues for the understanding of contemporary meaning production processes and reaffirm the importance of semiotics for investigating contemporary phenomena such as disinformation, the epistemic crisis in institutions, political polarization, among others.

Axis 7: Digital cultures, platformization and artificial intelligence

A large part of these disputes now takes place through the digital infrastructures that organize the production, circulation and interpretation of signs and discourses. The expansion of digital platforms, generative artificial intelligence and platformization processes continuously reconfigures these dynamics, challenging consolidated categories of semiotic theory and posing new problems for investigation. Understanding these phenomena implies investigating the role of algorithms, platformization, automation and new forms of interaction in the constitution of meanings, expanding the scope of semiotic investigation in the face of emerging phenomena that demand new questions, new methods and new analytical categories.

Axis 8: Semiotics, education and science communication

The articulations between semiotics and education constitute a relevant strand of Brazilian semiotic research. The axis includes studies on teaching and learning, multiliteracies, didactic transposition and forms of insertion of semiotics in different educational contexts. It also covers the analysis of texts, discourses and pedagogical practices, of the documents that guide education and of the dialogues established with other areas of knowledge. In this scope, science communication presents itself as a privileged field for investigating the processes of production, translation and social circulation of knowledge. It is of interest to understand how scientific concepts, methods and results are transformed into different languages and formats, as well as the meaning effects, legitimation strategies and the relations between specialists and publics involved in this process. The axis also welcomes research on media discourses that reach educational spaces, including disinformation, fake news, intolerance and scientific denialism. Finally, it contemplates the challenges related to the use of artificial intelligence, digital platforms and other technologies in education and in public communication of science.

Axis 9: Artistic manifestations and performances

The diversity of artistic manifestations produced in Brazil constitutes a privileged field for semiotic investigation. Literature, music, song, visual arts, cinema, audiovisual, theater, dance, performance and other forms of creation articulate different languages, supports, materialities, actively participating in the elaboration and dispute of social imaginaries. Marked by dialogues between local and transnational traditions, popular and erudite matrices, ancestral practices and contemporary experimentations, these manifestations give shape to historical, political, territorial and affective experiences. The axis includes studies on the processes of meaning production in the arts and on their aesthetic, technical and media transformations, considering both the specificity of each language and the intersemiotic relations established between different sign systems. It is also of interest to investigate artistic performances as spaces of creation, memory, resistance, recognition and social transformation, capable of interrogating and renewing the very categories of semiotic theory.

Axis 10: Semiotics, culture and social life

Cultural practices and the different spheres of social life constitute fundamental spaces for the production, circulation and transformation of meanings. Phenomena such as sport, religion, games, festivals, fashion, food, tourism and everyday practices mobilize values, beliefs, identities, passions and forms of belonging, while also evidencing tensions and disputes present in Brazilian society. Their investigation allows us to understand how communities are constituted, how traditions are preserved or re-elaborated and how ways of life acquire expression through rituals, narratives, objects, bodies, spaces and interactions. The axis brings together research dedicated to the multiple relations between semiotics, culture and sociability, contemplating both institutionalized practices and popular, community and everyday manifestations.

Axis 11: Dialogues between Brazil and the Global South

At the same time, the theme invites reflection on the production of semiotic knowledge in the Global South. The proposal of a Semiotics from Brazil does not seek to circumscribe theory to the Brazilian experience, but to take Brazil as a starting point for a dialogue with other realities marked by analogous historical experiences. Processes such as colonialism, different forms of domination and violence, deep social inequalities, environmental conflicts and crises of democracy cross, in different configurations, numerous societies of the Global South. Each of them, however, produces its own historical, social, cultural and political configurations, raising singular questions for semiotic investigation. It is from this dialogue between shared experiences and particular trajectories that a fertile field for the development of semiotic theory emerges. In this horizon, perspectives such as intersectionality, decoloniality and other critical approaches contribute to understanding how different historical and territorial experiences participate in the development of semiotic theory by raising new problems for investigation.

Axis 12: Dialogues between Brazil and the Global North

By bringing together members of the Brazilian and international semiotic community from different theoretical traditions, the VII International Congress of ABES intends to promote a dialogue in which the Brazilian experience serves as a starting point for a broader reflection on the relations between semiotic theory and territoriality. In this sense, the proposal of a Semiotics from Brazil constitutes a heuristic perspective that invites the international semiotic community to reflect on how different historical, social, cultural and political experiences participate in the elaboration, development and circulation of semiotic theory. The international community of the Global North is also invited to dialogue with this perspective with its own research traditions, its objects and its sociocultural realities, broadening the debate on the multiple forms of semiotic knowledge production. In this way, Brazil affirms itself not only as a space for investigation, but also as a place for the production, circulation and renewal of knowledge production in the field of semiotics.

* * *

In view of this panorama, the proposed axes are not limited to fields of application of semiotic theories. The questions they mobilize challenge consolidated models, demand new conceptual instruments and contribute to theoretical elaboration itself. More than interpreting Brazilian phenomena through previously constituted categories, it is about recognizing that the territories, knowledge, practices and experiences under analysis also interrogate, transform and renew semiotics. It is in this dialogue that a Semiotics from Brazil affirms itself as a plural space for the production, circulation and renewal of situated knowledge and theories.

Belo Horizonte, August 2026.

Conrado Moreira Mendes

President

Daniervelin Pereira

Vice President

Pablo Moreno Fernandes

Secretary

Matheux Schwartzmann

Treasurer

fr

FRANÇAIS

VIIᵉ Congrès international de l’ABES

Sémiotique à partir du Brésil

Territoires, savoirs et théories en dialogue

Du 12 au 15 juillet 2027

PUC Minas – Campus Coração Eucarístico · Belo Horizonte, Brésil

Organisé par l’Associação Brasileira de Estudos Semióticos (Association brésilienne d’études sémiotiques, ABES)

Le thème du VIIe Congrès de l’Association Brésilienne d’Études Sémiotiques – ABES invite la communauté scientifique à réfléchir sur le rôle de la territorialité dans la production du savoir sémiotique. Entendue au-delà de sa dimension géographique, la territorialité englobe les relations historiques, sociales, culturelles, politiques, environnementales et technologiques qui constituent les processus de production de sens. Proposer une Sémiotique à partir du Brésil signifie, dès lors, reconnaître que les théories sont confrontées et réélaborées par les signes, les pratiques et les objets qu’elles cherchent à comprendre.

Dans cette perspective, les différentes traditions sémiotiques sont appelées à dialoguer avec des questions centrales de l’expérience brésilienne : les territoires, les biomes et la biodiversité, y compris les processus migratoires et leurs relations avec les transformations environnementales ; les perspectives décoloniales et les savoirs autochtones ; les perspectives antiracistes et les épistémologies afro-brésiliennes ; les inégalités, la reconnaissance et la justice sociale ; les perspectives féministes, les genres et les sexualités ; la démocratie, la polarisation politique et l’intolérance ; les cultures numériques, la plateformisation et l’intelligence artificielle ; l’éducation et la vulgarisation scientifique ; les manifestations et performances artistiques ; et les relations entre sémiotique, culture et vie sociale. Le congrès favorise également des dialogues entre le Brésil et les traditions de production du savoir sémiotique du Sud et du Nord Global. À partir de cet horizon, il s’organise en douze axes de réflexion et d’investigation :

Douze axes thématiques

Axe 1 : Territoires, biomes et biodiversité

La diversité territoriale brésilienne, exprimée en Amazonie, dans le Cerrado, la Caatinga, la Mata Atlântica, le Pantanal, le Pampa et les écosystèmes côtiers et marins, fait du pays un espace singulier pour la réflexion sémiotique. La richesse de ses biomes et de sa biodiversité place au centre du débat la crise climatique, la déforestation, les incendies, la dégradation environnementale, la perte d’espèces et les défis liés à la conservation de la nature. Ces processus transforment les territoires et les modes de vie, modifient les relations entre êtres humains, autres êtres vivants et environnement, et intensifient différentes formes de mobilité et de déplacement. Dans ce contexte, les migrations – humaines ou d’autres espèces, volontaires ou forcées – peuvent être comprises dans leur relation avec les changements environnementaux, les événements climatiques extrêmes, les conflits territoriaux, les inégalités et les rivalités pour les ressources. Les migrations internes et internationales, les déplacements de populations autochtones et de communautés traditionnelles, les réfugiés climatiques et les modifications des flux migratoires constituent ainsi des objets pertinents pour l’investigation sémiotique. En dialogue avec les débats sur l’Anthropocène et les crises écologiques contemporaines, des perspectives comme l’écosémiotique et la biosémiotique permettent d’étudier les sens produits par ces transformations, mobilités et formes de coexistence, contribuant à la formulation de nouvelles questions et perspectives théoriques.

Axe 2 : Perspectives décoloniales et savoirs autochtones

Cette diversité territoriale, toutefois, ne peut être dissociée du processus de colonisation qui a marqué l’occupation et la transformation du territoire brésilien. La formation du Brésil est marquée par l’invasion coloniale, l’extermination d’une partie significative des peuples autochtones et l’expropriation de leurs territoires. Au fil des siècles, leurs populations, leurs langues et leurs savoirs ont souvent été invisibilisés, marginalisés et exotisés, malgré l’extraordinaire diversité de leurs cultures et modes de vie. Parallèlement, les cosmologies et épistémologies indigènes, avec leurs différentes manières de comprendre les relations entre êtres humains, nature, spiritualité et production de sens, constituent une contribution décisive à l’élargissement du répertoire conceptuel de la sémiotique, en remettant en question les présupposés consolidés et les perspectives restreintes aux traditions occidentales.

Axe 3 : Perspectives antiracistes et épistémologies afro-brésiliennes

Au processus de colonisation s’est articulé un autre élément décisif pour la formation de la société brésilienne : un système esclavagiste soutenu, pendant environ trois siècles et demi, par l’asservissement de personnes africaines et afro-descendantes. L’abolition formelle de ce système, en 1888, n’a pas été accompagnée de politiques structurées de réparation, d’inclusion sociale et de garantie des droits pour la population noire, ce qui a contribué à la perpétuation de structures d’exclusion dont les effets demeurent dans la société brésilienne. Le racisme structurel, les inégalités raciales persistantes, la sous-représentation de la population noire dans différents espaces sociaux et médiatiques, ainsi que la reproduction de stéréotypes, témoignent de la continuité de ces processus historiques dans les pratiques sociales et la production de sens. En même temps, les cultures afro-brésiliennes – dans leurs expressions artistiques, religieuses, linguistiques et esthétiques – et les apports des études sur la race élargissent et enrichissent la réflexion sémiotique, en y introduisant des perspectives fondamentales sur la mémoire, l’identité, l’altérité, le pouvoir, la résistance et la représentativité.

Axe 4 : Inégalités, reconnaissance et justice sociale

L’inégalité sociale constitue l’un des traits les plus persistants de la réalité brésilienne, se manifestant dans la concentration des revenus et dans les différences d’accès à l’éducation, à la santé, au logement, au travail, à la culture, aux technologies et à la participation politique. Ces asymétries, traversées par des marqueurs de classe, de race, de genre et de territoire, conditionnent les modes de vie, restreignent les droits et produisent différentes formes d’exclusion et de vulnérabilité. Leurs effets atteignent également la circulation des discours, les formes de représentation et les luttes pour la visibilité, l’appartenance et la reconnaissance. En étudiant comment ces rapports de pouvoir participent à la production de sens, la sémiotique contribue à comprendre tant la naturalisation des inégalités que les discours et pratiques de résistance, de revendication des droits et de construction de la justice sociale.

Axe 5 : Perspectives féministes, genres et sexualités

Les relations de genre et de sexualité dans la société brésilienne sont historiquement traversées par le patriarcat, qui a naturalisé les hiérarchies, défini des représentations de la masculinité et de la féminité et distribué de manière inégale les lieux de pouvoir. Les études féministes et les recherches sur le genre, la sexualité et les expériences trans problématisent ces structures et offrent de nouvelles perspectives pour comprendre les identités, les corps et les performances. Au cœur des débats publics contemporains, ces approches défient les catégories consolidées et suscitent des questions sur la représentation, la reconnaissance, la normativité et la production de sens, élargissant le champ de l’investigation sémiotique.

Axe 6 : Démocratie, polarisation politique et intolérance

Les différentes fractures historiques et sociales qui traversent la société brésilienne ont un impact direct sur la vie politique contemporaine. L’histoire républicaine du pays est marquée par des périodes de rupture institutionnelle et par des expériences autoritaires dont les effets se font encore sentir aujourd’hui. La consolidation de la démocratie reste un processus en construction, continuellement mis au défi par la polarisation politique, la circulation de la désinformation, les discours de haine, les différentes formes d’intolérance et le renforcement de mouvements qui mettent en péril l’ordre démocratique. Des épisodes récents, comme les attaques contre les sièges des trois pouvoirs le 8 janvier 2023, montrent la centralité de ces questions pour la compréhension des processus contemporains de production de sens et réaffirment l’importance de la sémiotique pour étudier des phénomènes contemporains tels que la désinformation, la crise épistémique dans les institutions, la polarisation politique, entre autres.

Axe 7 : Cultures numériques, plateformisation et intelligence artificielle

Une grande partie de ces luttes passe aujourd’hui par les infrastructures numériques qui organisent la production, la circulation et l’interprétation des signes et des discours. L’expansion des plateformes numériques, de l’intelligence artificielle générative et des processus de plateformisation reconfigure continuellement ces dynamiques, mettant au défi les catégories consolidées de la théorie sémiotique et posant de nouveaux problèmes pour la recherche. Comprendre ces phénomènes implique d’étudier le rôle des algorithmes, de la plateformisation, de l’automatisation et des nouvelles formes d’interaction dans la constitution des sens, élargissant ainsi le champ de l’investigation sémiotique face à des phénomènes émergents qui exigent de nouvelles questions, de nouvelles méthodes et de nouvelles catégories analytiques.

Axe 8 : Sémiotique, éducation et vulgarisation scientifique

Les articulations entre sémiotique et éducation constituent une voie importante de la recherche sémiotique brésilienne. L’axe comprend des études sur l’enseignement et l’apprentissage, les multilettrismes, la transposition didactique et les formes d’insertion de la sémiotique dans différents contextes éducatifs. Il couvre également l’analyse des textes, des discours et des pratiques pédagogiques, des documents qui orientent l’éducation et des dialogues établis avec d’autres domaines de la connaissance. Dans ce cadre, la vulgarisation scientifique se présente comme un champ privilégié pour étudier les processus de production, de traduction et de circulation sociale du savoir. Il s’agit de comprendre comment les concepts, méthodes et résultats scientifiques sont transformés dans différents langages et formats, ainsi que les effets de sens, les stratégies de légitimation et les relations entre experts et publics impliqués dans ce processus. L’axe accueille également des recherches sur les discours médiatiques qui parviennent aux espaces éducatifs, y compris la désinformation, les fake news, l’intolérance et le négationnisme scientifique. Il aborde enfin les défis liés à l’utilisation de l’intelligence artificielle, des plateformes numériques et d’autres technologies dans l’éducation et la communication publique de la science.

Axe 9 : Manifestations et performances artistiques

La diversité des manifestations artistiques produites au Brésil constitue un champ privilégié pour l’investigation sémiotique. Littérature, musique, chanson, arts visuels, cinéma, audiovisuel, théâtre, danse, performance et autres formes de création articulent différents langages, supports et matérialités, participant activement à l’élaboration et à la disputation des imaginaires sociaux. Marquées par des dialogues entre traditions locales et transnationales, matrices populaires et savantes, pratiques ancestrales et expérimentations contemporaines, ces manifestations donnent forme à des expériences historiques, politiques, territoriales et affectives. L’axe accueille des études sur les processus de production de sens dans les arts et sur leurs transformations esthétiques, techniques et médiatiques, en considérant tant la spécificité de chaque langage que les relations intersémiotiques établies entre différents systèmes de signes. Il s’intéresse également aux performances artistiques comme espaces de création, de mémoire, de résistance, de reconnaissance et de transformation sociale, capables d’interroger et de renouveler les catégories mêmes de la théorie sémiotique.

Axe 10 : Sémiotique, culture et vie sociale

Les pratiques culturelles et les différentes sphères de la vie sociale constituent des espaces fondamentaux de production, de circulation et de transformation des sens. Des phénomènes tels que le sport, la religion, les jeux, les fêtes, la mode, l’alimentation, le tourisme et les pratiques quotidiennes mobilisent des valeurs, des croyances, des identités, des passions et des formes d’appartenance, tout en mettant en évidence des tensions et des disputes présentes dans la société brésilienne. Leur investigation permet de comprendre comment les communautés se constituent, comment les traditions sont préservées ou réélaborées, et comment les modes de vie acquièrent une expression à travers des rituels, des récits, des objets, des corps, des espaces et des interactions. L’axe rassemble des recherches consacrées aux multiples relations entre sémiotique, culture et sociabilité, couvrant aussi bien les pratiques institutionnalisées que les manifestations populaires, communautaires et quotidiennes.

Axe 11 : Dialogues entre le Brésil et le Sud Global

Parallèlement, le thème invite à une réflexion sur la production du savoir sémiotique dans le Sud Global. La proposition d’une sémiotique à partir du Brésil ne cherche pas à circonscrire la théorie à l’expérience brésilienne, mais à prendre le Brésil comme point de départ pour un dialogue avec d’autres réalités marquées par des expériences historiques analogues. Des processus comme le colonialisme, les différentes formes de domination et de violence, les profondes inégalités sociales, les conflits environnementaux et les crises de la démocratie traversent, dans des configurations variées, de nombreuses sociétés du Sud Global. Chacune d’elles produit cependant des configurations historiques, sociales, culturelles et politiques propres, suscitant des questions singulières pour l’investigation sémiotique. C’est de ce dialogue entre expériences partagées et trajectoires particulières qu’émerge un champ fertile pour le développement de la théorie sémiotique. Dans cet horizon, des perspectives telles que l’intersectionnalité, la décolonialité et d’autres approches critiques contribuent à comprendre comment différentes expériences historiques et territoriales participent au développement de la théorie sémiotique en soulevant de nouveaux problèmes pour la recherche.

Axe 12 : Dialogues entre le Brésil et le Nord Global

En réunissant des membres de la communauté sémiotique brésilienne et internationale de différentes traditions théoriques, le VIIe Congrès International de l’ABES entend promouvoir un dialogue dans lequel l’expérience brésilienne sert de point de départ pour une réflexion plus large sur les relations entre théorie sémiotique et territorialité. En ce sens, la proposition d’une sémiotique à partir du Brésil constitue une perspective heuristique qui invite la communauté sémiotique internationale à réfléchir sur la manière dont différentes expériences historiques, sociales, culturelles et politiques participent à l’élaboration, au développement et à la circulation de la théorie sémiotique. La communauté internationale du Nord Global est également invitée à dialoguer avec cette perspective à travers ses propres traditions de recherche, ses objets et ses réalités socioculturelles, élargissant ainsi le débat sur les multiples formes de production du savoir sémiotique. De cette manière, le Brésil s’affirme non seulement comme espace d’investigation, mais aussi comme lieu de production, de circulation et de renouvellement de la production de connaissance dans le champ de la sémiotique.

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Face à ce panorama, les axes proposés ne se limitent pas à des champs d’application des théories sémiotiques. Les questions qu’ils mobilisent défient les modèles consolidés, exigent de nouveaux instruments conceptuels et contribuent à l’élaboration théorique elle-même. Plus qu’interpréter les phénomènes brésiliens à travers des catégories préétablies, il s’agit de reconnaître que les territoires, les savoirs, les pratiques et les expériences analysés interrogent, transforment et renouvellent également la sémiotique. C’est dans ce dialogue qu’une Sémiotique à partir du Brésil s’affirme comme un espace pluriel de production, de circulation et de renouvellement des connaissances et des théories situées.

Belo Horizonte, août 2026.

Conrado Moreira Mendes

Président

Daniervelin Pereira

Vice-présidente

Pablo Moreno Fernandes

Secrétaire

Matheux Schwartzmann

Trésorière

VII Congresso Internacional da ABES

12 a 15 de julho de 2027 · PUC Minas · Belo Horizonte (MG)

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