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Editorial

Esta edição apresenta o tema do VII Congresso Internacional da Associação Brasileira de Estudos Semióticos (ABES), que será realizado de 12 a 15 de julho de 2027, na PUC Minas, campus Coração Eucarístico, em Belo Horizonte. “Semiótica a partir do Brasil: territórios, saberes e teorias em diálogo” é a temática proposta, que convida a comunidade científica a refletir sobre como os territórios, as experiências históricas, os saberes e as práticas sociais não apenas constituem objetos de investigação, mas também interrogam e contribuem para a renovação das teorias semióticas.

Essa perspectiva atravessa, de diferentes maneiras, toda a edição. Os eventos realizados e as atividades anunciadas evidenciam a diversidade e a vitalidade da pesquisa semiótica brasileira, com discussões sobre memória, educação, literatura, mídias digitais, inteligência artificial, soberania tecnológica, cultura e práticas de existência. As publicações e chamadas aqui divulgadas também mostram uma semiótica aberta ao diálogo com diferentes áreas do conhecimento e atenta às transformações contemporâneas da linguagem, da tecnologia e da vida social.

A convergência entre o tema do Congresso e a Nota da Semioticista, que encerra esta edição, merece destaque especial. Em seu texto, Lucia Santaella apresenta o percurso de pesquisas que resultou no livro Amazônia Digital e que atualmente se desdobra no projeto “Observatório Internacional em Colonialismo Digital”. Ao tratar das transformações provocadas pela expansão da conectividade nas comunidades amazônicas, a pesquisadora articula questões ambientais, territoriais, tecnológicas, políticas e culturais. Sua reflexão envolve os direitos digitais dos povos indígenas, a dependência tecnológica, o colonialismo de dados, a regulação da inteligência artificial e a busca por justiça semiótico-cognitiva.

Trata-se de um exemplo particularmente expressivo do que significa produzir uma semiótica a partir do Brasil: tomar um território concreto, a Amazônia, com seus povos, saberes, conflitos e modos de vida, como ponto de partida para formular novas questões para a ciência dos signos. A nota dialoga, assim, com diversos eixos do Congresso, especialmente aqueles dedicados aos territórios, biomas e biodiversidade; aos saberes originários e às perspectivas decoloniais; às culturas digitais, à plataformização e à inteligência artificial; e aos diálogos entre o Brasil e o Sul e o Norte Global.

Esperamos que esta edição contribua para ampliar esses diálogos e estimular novas reflexões e encontros. A ABES permanece aberta à participação da comunidade semiótica. Sugestões de pautas, notícias e outros conteúdos para as próximas edições serão muito bem-vindas.

Boa leitura!

Diretoria da ABES
Gestão 2025–2027

editorial

VII Congresso Internacional da Associação Brasileira de Estudos Semióticos — ABES

Cartaz do VII Congresso Internacional da ABES: Semiótica a partir do Brasil: territórios, saberes e teorias em diálogo; de 12 a 15 de julho de 2027, na PUC Minas, em Belo Horizonte

O tema do VII Congresso Internacional da Associação Brasileira de Estudos Semióticos (ABES) convida a comunidade científica a refletir sobre o papel da territorialidade na produção do conhecimento semiótico.

Entendida como algo que ultrapassa a dimensão geográfica, a territorialidade compreende as relações históricas, sociais, culturais, políticas, ambientais e tecnológicas que constituem os processos de produção de sentido. Propor uma Semiótica a partir do Brasil significa, portanto, reconhecer que as teorias são confrontadas e reelaboradas pelos signos, pelas práticas e pelos objetos que procuram compreender.

Sob essa perspectiva, as diferentes tradições semióticas são convocadas a dialogar com questões centrais da experiência brasileira: os territórios, os biomas e a biodiversidade, incluindo os processos migratórios e suas relações com as transformações ambientais; as perspectivas decoloniais e os saberes originários; as perspectivas antirracistas e as epistemologias afro-brasileiras; as desigualdades, o reconhecimento e a justiça social; as perspectivas feministas, os gêneros e as sexualidades; a democracia, a polarização política e a intolerância; as culturas digitais, a plataformização e a inteligência artificial; a educação e a divulgação científica; as manifestações e performances artísticas; e, por fim, as relações entre semiótica, cultura e vida social. O congresso promove, ainda, diálogos entre o Brasil e as tradições de produção do conhecimento semiótico do Sul e do Norte Global. Tendo em vista esse horizonte, organiza-se em doze eixos de reflexão e investigação:

Eixo 1: Territórios, biomas e biodiversidade

A diversidade territorial brasileira, expressa na Amazônia, no Cerrado, na Caatinga, na Mata Atlântica, no Pantanal, no Pampa e nos ecossistemas costeiros e marinhos, faz do país um espaço singular para a reflexão semiótica. A riqueza de seus biomas e de sua biodiversidade traz para o centro do debate a crise climática, o desmatamento, as queimadas, a degradação ambiental, a perda de espécies e os desafios relacionados à conservação da natureza. Esses processos transformam territórios e modos de vida, alteram as relações entre seres humanos, demais seres vivos e ambiente e intensificam diferentes formas de mobilidade e deslocamento. Nesse contexto, as migrações humanas ou de outras espécies – voluntárias ou forçadas – podem ser compreendidas em sua relação com mudanças ambientais, eventos climáticos extremos, conflitos territoriais, desigualdades e disputas por recursos. Migrações internas e internacionais, deslocamentos de populações indígenas e comunidades tradicionais, refúgio climático e alterações nos fluxos migratórios constituem, assim, objetos relevantes para a investigação semiótica. Em diálogo com os debates sobre o Antropoceno e as crises ecológicas contemporâneas, a ecossemiótica e a biossemiótica possibilitam investigar os sentidos produzidos por essas transformações, mobilidades e formas de coexistência, de modo a contribuir para a formulação de novas questões e perspectivas teóricas.

Eixo 2: Perspectivas decoloniais e saberes originários

Essa diversidade territorial, contudo, não pode ser dissociada do processo de colonização que marcou a ocupação e a transformação do território brasileiro. A formação do Brasil se deu pela invasão colonial, pelo extermínio de parte significativa dos povos originários e pela expropriação de seus territórios. Ao longo dos séculos, suas populações, suas línguas e seus saberes foram frequentemente invisibilizados, marginalizados e exotizados, apesar da extraordinária diversidade de suas culturas e formas de vida. Entretanto, ao questionarem pressupostos consolidados e perspectivas restritas às tradições ocidentais, as cosmologias e epistemologias indígenas, com suas diferentes maneiras de compreender as relações entre seres humanos, natureza, espiritualidade e produção de sentido, constituem uma contribuição decisiva para a ampliação do repertório conceitual da semiótica.

Eixo 3: Perspectivas antirracistas e epistemologias afro-brasileiras

Ao processo de colonização articulou-se outro elemento decisivo para a formação da sociedade brasileira: um sistema escravista sustentado, durante cerca de três séculos e meio, pela escravização de pessoas africanas e afrodescendentes. A abolição formal desse sistema, em 1888, não foi acompanhada de políticas estruturadas de reparação, inclusão social e garantia de direitos para a população negra, o que contribuiu para a perpetuação de estruturas de exclusão cujos efeitos permanecem na sociedade brasileira. O racismo estrutural, as persistentes desigualdades raciais, a sub-representação da população negra em diferentes espaços sociais e midiáticos e a reprodução de estereótipos evidenciam a continuidade desses processos históricos nas práticas sociais e na produção de sentidos. Nesse contexto, as culturas afro-brasileiras – em suas expressões artísticas, religiosas, linguísticas e estéticas – e as contribuições dos estudos sobre raça ampliam e enriquecem a reflexão semiótica, ao introduzirem perspectivas fundamentais sobre memória, identidade, alteridade, poder, resistência e representatividade.

Eixo 4: Desigualdades, reconhecimento e justiça social

A desigualdade social constitui um dos traços mais persistentes da realidade brasileira. Manifesta-se na concentração de renda e nas diferenças de acesso à educação, à saúde, à moradia, ao trabalho, à cultura, às tecnologias e à participação política. Essas assimetrias, atravessadas por marcadores de classe, raça, gênero e território, condicionam modos de vida, restringem direitos e produzem diferentes formas de exclusão e vulnerabilidade. Seus efeitos alcançam também a circulação dos discursos, as formas de representação e as disputas por visibilidade, pertencimento e reconhecimento. Ao investigar como essas relações de poder participam da produção de sentidos, a semiótica contribui para compreender tanto a naturalização das desigualdades quanto os discursos e práticas de resistência, reivindicação de direitos e construção da justiça social.

Eixo 5: Perspectivas feministas, gêneros e sexualidades

As relações de gênero e sexualidade na sociedade brasileira são historicamente atravessadas pelo patriarcado, que naturalizou hierarquias, definiu representações de masculinidade e feminilidade e distribuiu, de forma desigual, os lugares de poder. Os estudos feministas e as pesquisas sobre gênero, sexualidade e experiências trans problematizam essas estruturas e oferecem novas perspectivas para compreender identidades, corpos e performances. Em meio aos debates públicos contemporâneos, essas abordagens desafiam categorias consolidadas e suscitam questões sobre representação, reconhecimento, normatividade e produção de sentido, ampliando o campo da investigação semiótica.

Eixo 6: Democracia, polarização política e intolerância

As diferentes clivagens históricas e sociais que atravessam a sociedade brasileira repercutem diretamente na vida política contemporânea. A história republicana do país é marcada por períodos de ruptura institucional e por experiências autoritárias cujos efeitos ainda se fazem sentir no presente. A consolidação da democracia permanece um processo em construção, continuamente desafiado pela polarização política, pela circulação da desinformação, pelos discursos de ódio, pelas diferentes formas de intolerância e pelo fortalecimento de movimentos que colocam em risco a ordem democrática. Episódios recentes, como os ataques às sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023, evidenciam a centralidade dessas questões para a compreensão dos processos contemporâneos de produção de sentido e reafirmam a importância da semiótica para investigar fenômenos contemporâneos, como a desinformação, a crise epistêmica nas instituições, a polarização política, entre outros.

Eixo 7: Culturas digitais, plataformização e inteligência artificial

Grande parte dessas disputas passa hoje pelas infraestruturas digitais que organizam a produção, a circulação e a interpretação de signos e discursos. A expansão das plataformas digitais, da inteligência artificial generativa e dos processos de plataformização reconfigura continuamente essas dinâmicas, desafiando categorias consolidadas da teoria semiótica e trazendo novos problemas para a investigação. Compreender esses fenômenos implica investigar o papel dos algoritmos, da plataformização, da automação e das novas formas de interação na constituição dos sentidos, de forma a ampliar o escopo da investigação semiótica diante de fenômenos emergentes que demandam novas perguntas, novos métodos e novas categorias analíticas.

Eixo 8: Semiótica, educação e divulgação científica

As articulações entre semiótica e educação constituem uma vertente relevante da pesquisa semiótica brasileira. O eixo contempla estudos sobre ensino e aprendizagem, multiletramentos, transposição didática e formas de inserção da semiótica em diferentes contextos educacionais. Abrange também a análise de textos, discursos e práticas pedagógicas, dos documentos que orientam a educação e dos diálogos estabelecidos com outras áreas do conhecimento. Nesse âmbito, a divulgação científica apresenta-se como um campo privilegiado para investigar os processos de produção, tradução e circulação social do conhecimento. É, pois, de interesse compreender como conceitos, métodos e resultados científicos são transformados em diferentes linguagens e formatos, bem como os efeitos de sentido, as estratégias de legitimação e as relações entre especialistas e públicos envolvidos nesse processo. O eixo acolhe ainda pesquisas sobre os discursos midiáticos que chegam aos espaços educacionais, o que inclui a desinformação, as notícias falsas, a intolerância e o negacionismo científico. Contempla, por fim, os desafios relacionados ao uso da inteligência artificial, das plataformas digitais e de outras tecnologias na educação e na comunicação pública da ciência.

Eixo 9: Manifestações e performances artísticas

A diversidade das manifestações artísticas produzidas no Brasil constitui um campo privilegiado para a investigação semiótica. Artes visuais, audiovisual, canção, cinema, dança, literatura, música, performance, teatro e outras formas de criação articulam diferentes linguagens, suportes e materialidades, participando ativamente da elaboração e da disputa de imaginários sociais. Marcadas por diálogos entre tradições locais e transnacionais, matrizes populares e eruditas, práticas ancestrais e experimentações contemporâneas, essas manifestações dão forma a experiências históricas, políticas, territoriais e afetivas. O eixo acolhe estudos sobre os processos de produção de sentido nas artes e sobre suas transformações estéticas, técnicas e midiáticas, considerando tanto a especificidade de cada linguagem quanto as relações intersemióticas estabelecidas entre diferentes sistemas de signos. Cabe, ainda, nesse âmbito, investigar as performances artísticas como espaços de criação, memória, resistência, reconhecimento e transformação social.

Eixo 10: Semiótica, cultura e vida social

As práticas culturais e as diferentes esferas da vida social constituem espaços fundamentais de produção, circulação e transformação dos sentidos. Fenômenos como esporte, religião, jogos, festas, moda, alimentação, turismo e práticas cotidianas mobilizam valores, crenças, identidades, paixões e formas de pertencimento, ao mesmo tempo que evidenciam tensões e disputas presentes na sociedade brasileira. Sua investigação possibilita compreender como comunidades se constituem, como tradições são preservadas ou reelaboradas e como modos de vida adquirem expressão por meio de rituais, narrativas, objetos, corpos, espaços e interações. O eixo reúne pesquisas dedicadas às múltiplas relações entre semiótica, cultura e sociabilidade, contemplando tanto práticas institucionalizadas quanto manifestações populares, comunitárias e cotidianas.

Eixo 11: Diálogos entre o Brasil e o Sul Global

O tema desse eixo convida à reflexão sobre a produção do conhecimento semiótico no Sul Global. A proposta de uma Semiótica a partir do Brasil não busca circunscrever a teoria à experiência brasileira, mas tomar o Brasil como ponto de partida para um diálogo com outras realidades marcadas por experiências históricas análogas. Processos como o colonialismo, diferentes formas de dominação e violência, as profundas desigualdades sociais, os conflitos ambientais e as crises da democracia atravessam, em diferentes configurações, inúmeras sociedades do Sul Global. Cada uma delas, contudo, produz configurações históricas, sociais, culturais e políticas próprias, suscitando questões singulares para a investigação semiótica. É desse diálogo entre experiências compartilhadas e trajetórias particulares que emerge um campo fértil para o desenvolvimento da teoria semiótica. Nesse horizonte, perspectivas como a interseccionalidade, a decolonialidade e outras abordagens críticas contribuem para compreender como diferentes experiências históricas e territoriais participam do desenvolvimento da teoria semiótica ao suscitarem novos problemas para a investigação.

Eixo 12: Diálogos entre o Brasil e o Norte Global

Um diálogo em que a experiência brasileira sirva de ponto de partida para uma reflexão mais ampla sobre as relações entre teoria semiótica e territorialidade é o foco desse eixo. A proposta de uma Semiótica a partir do Brasil constitui uma perspectiva heurística que convida a comunidade semiótica internacional a refletir sobre como diferentes experiências históricas, sociais, culturais e políticas participam da elaboração, do desenvolvimento e da circulação da teoria semiótica. A comunidade internacional do Norte Global também é convidada a dialogar com essa perspectiva com suas próprias tradições de pesquisa, de seus objetos e de suas realidades socioculturais, ampliando o debate sobre as múltiplas formas de produção do conhecimento semiótico. Desse modo, o Brasil afirma-se não apenas como espaço de investigação, mas também como lugar de produção, circulação e renovação da produção de conhecimento no campo da semiótica.

* * *

Diante desse panorama, os eixos propostos não se limitam a campos de aplicação das teorias semióticas. As questões que mobilizam desafiam modelos consolidados, exigem novos instrumentos conceituais e contribuem para a própria elaboração teórica. Mais do que interpretar os fenômenos brasileiros por meio de categorias previamente constituídas, interessa reconhecer que os territórios, os saberes, as práticas e as experiências em análise também interrogam, transformam e renovam a semiótica. É nesse diálogo que uma Semiótica a partir do Brasil se afirma como espaço plural de produção, circulação e renovação de conhecimentos e teorias situadas.

vii-congresso

Aconteceu

71º Seminário do GEL

Participantes do 71º Seminário do GEL posam em grupo, em pé, durante confraternização em Araraquara (SP)

Participantes do 71º Seminário do GEL em momento de confraternização, em Araraquara

Foto: arquivo do GES/USP

Durante o 71º Seminário do GEL, realizado de 28 a 31 de julho, na Unesp, em Araraquara (SP), a área de Semiótica marcou presença, reunindo mais de 60 pesquisadores e pesquisadoras em simpósios e sessões de comunicação.

Entre os participantes estiveram Alexandre Marcelo Bueno, Ana Paula Ferreira de Mendonça, Eliane Soares de Lima, Flavia Furlan Granato, Giovanna Longo, Gustavo Bonin, Jean Cristtus Portela, Júlia Lourenço Costa, Juliana Di Fiori Pondian, Marc Barreto Bogo, Mariana Luz Pessoa de Barros, Matheux Schwartzmann, Patrícia Verônica Moreira, Renata Ciampone Mancini, Regina Souza Gomes e Thiago Moreira Correia, vinculados a instituições como Unesp, UFF, USP, UFRJ, UFSCar e Universidade Presbiteriana Mackenzie, entre outras.

A programação contou ainda com a conferência internacional de Verónica Estay Stange (Paris Cité), intitulada Para una semiótica de la (pos)memoria, e com a participação de Diana Luz Pessoa de Barros (USP) em uma mesa-redonda, com o trabalho Temas emergentes na área da semiótica discursiva.

SeDi no SAPPIL

Captura de tela da mesa remota Semiótica e Literatura, do SAPPIL: participantes em videochamada, entre eles o professor Ivã Carlos Lopes

Mesa remota Semiótica e Literatura, do SAPPIL, com o professor Ivã Carlos Lopes

Imagem: arquivo do SeDi/UFF

Estudantes de iniciação científica, mestrado e doutorado do Grupo de Estudos em Semiótica e Discurso da Universidade Federal Fluminense (SeDi/UFF) apresentaram suas pesquisas no Seminário de Alunos do Programa de Pós-Graduação do Instituto de Letras (SAPPIL), nos dias 19 e 21 de agosto.

As apresentações foram realizadas em três mesas remotas, dedicadas aos temas Semiótica, cultura e educação, Semiótica e mídias digitais e Semiótica e literatura, que tiveram como debatedores, respectivamente, os professores Lucas Shimoda, Letícia Moraes e Ivã Carlos Lopes.

21º Congresso da ALFAL

Participantes do Projeto 22 posam em grupo diante de uma tela no 21º Congresso da ALFAL, em Lima, no Peru

Participantes do Projeto 22 no 21º Congresso da ALFAL, em Lima, no Peru

Foto: Eliane Lima

De 10 a 14 de agosto de 2026, foi realizado o 21º Congresso da Associação de Linguística e Filologia da América Latina (ALFAL), na Pontifícia Universidade Católica do Peru, em Lima. Durante o evento, o Projeto 22 – Enunciação e interação em discursos na internet, coordenado pelas professoras Lucia Teixeira (UFF/CNPq) e Diana Luz Pessoa de Barros (USP/Universidade Mackenzie/CNPq), reuniu pesquisadores interessados nas relações interdisciplinares entre tecnologias digitais e estudos do discurso.

As discussões, especialmente sob as perspectivas da semiótica e da análise do discurso, concentraram-se em questões relacionadas à enunciação e à interação, entendidas como conceitos fundamentais para a compreensão do funcionamento dos discursos digitais.

Encontro Mineiro de Semiótica

Pesquisadores e estudantes posam em sala de aula na palestra de Matheux Schwartzmann, no 1º Encontro Mineiro de Semiótica

Pesquisadores e estudantes durante palestra da professora Matheux Schwartzmann, no 1º Encontro Mineiro de Semiótica

Foto: Daniervelin Pereira

Daniervelin Pereira, Conrado Moreira e Matheux Schwartzmann sentados à mesa, diante da projeção da arte do VII Congresso da ABES

Daniervelin Pereira (UFMG), Conrado Moreira (PUC Minas) e Matheux Schwartzmann (Unesp) durante a mesa-redonda de divulgação do VII Congresso Internacional da ABES, no 1º Encontro Mineiro de Semiótica

Foto: Isabela Velocini

O 1º Encontro Mineiro de Semiótica, promovido pelo Grupo de Pesquisa Texto Livre: Semiótica e Tecnologia, da Faculdade de Letras da UFMG, e pelo Grupo de Pesquisa em Mídia, Interação e Sentido (MIS), do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social (PPGCOM) da PUC Minas, foi realizado nos dias 20 e 21 de agosto de 2026, na Fale/UFMG, em Belo Horizonte. Palestra e mesa-redonda integraram a programação do evento, que contou com o apoio do Programa de Pós-graduação em Estudos Linguísticos da Fale/UFMG.

No primeiro dia do encontro, a professora Matheux Schwartzmann, da Unesp, ministrou a palestra Por uma abordagem autoetnossemiótica: a narrativa de si como laboratório epistemológico para uma teoria das práticas de existência. A apresentação dialogou com pesquisas desenvolvidas pela professora sobre identidades, subjetividades, práticas semióticas e formas de vida, articulando a narrativa de si a uma reflexão sobre os modos de constituição dos sujeitos e das práticas de existência.

No dia 21 de agosto, Daniervelin Pereira (UFMG), Conrado Moreira (PUC Minas) e Matheux Schwartzmann (Unesp), integrantes da gestão 2025–2027 da Associação Brasileira de Estudos Semióticos, participaram de uma mesa-redonda, na qual foram divulgados o VII Congresso Internacional da ABES, o Prêmio ABES de Teses e Dissertações e o Projeto Memória ABES.

Curso no SEMIOCE

Professor Sémir Badir aponta para slide projetado em sala de aula, no curso Pragmática de atos de fala e gestos discursivos

Professor Sémir Badir durante o curso Pragmática de atos de fala e gestos discursivos

Imagem: divulgação | Instagram @semioce_ufc

Em agosto, o professor Sémir Badir, da Universidade de Liège, ministrou, nos dias 17, 19, 24 e 26 de agosto, o curso Pragmática de atos de fala e gestos discursivos, no Programa de Pós-graduação em Linguística da Universidade Federal do Ceará (UFC). O curso abordou os atos de fala, discutidos no campo da pragmática linguística, e os gestos discursivos, compreendidos com base nas relações entre macroatos de fala, enunciação e intersemiose. A proposta também considerou como as funções intencionais e praxeológicas da linguagem se manifestam na constituição de discursos e textos.

Conversas semióticas – SemiÓLab UFPB

Card Conversas Semióticas com Dra. Silvia Sousa (UFF): Estudos semióticos em tempos de IA, 26 de agosto, 19h, evento remoto

Imagem: divulgação | Instagram @semiolab.ufpb

A professora Silvia Sousa, da Universidade Federal Fluminense (UFF), participou da série Conversas Semióticas, do grupo SemiÓLab, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), com o encontro Estudos semióticos em tempos de IA, no dia 26 de agosto, às 19h, em formato remoto.

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Próximos eventos

Grupo de Investigações Semióticas – GIS

Card do Grupo de Investigações Semióticas (GIS): inscrições abertas para o semestre 2026.2, encontros a partir de 27/08

Imagem: divulgação | Instagram @semioce_ufc

Estão abertas as inscrições para o Grupo de Investigações Semióticas (GIS) 2026.2. Os encontros serão realizados em formato híbrido, no Centro de Humanidades I (CH I) da Universidade Federal do Ceará (UFC) e pela plataforma Google Meet, a partir de 27 de agosto, às quintas-feiras, das 12h30 às 14h.

Neste semestre, a obra em estudo será O acento do conteúdo, de Luiz Tatit (2025).

2ª Jornada SemIA: semiótica, inteligência artificial e soberania tecnológica

Cartaz da II Jornada SemIA: semiótica, inteligência artificial e soberania tecnológica; 5 de novembro, ECA-USP, São Paulo

Imagem: divulgação | Jornada semIA

A 2ª Jornada semIA: semiótica, inteligência artificial e soberania tecnológica recebe trabalhos de pesquisadoras, pesquisadores, estudantes, profissionais, artistas e desenvolvedores. O evento será realizado em 5 de novembro de 2026, na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP), em formato presencial e on-line.

Com o tema Soberania em IA / Decolonial Computing / Multilateralismo Epistêmico, a jornada visa reunir propostas que interroguem os fundamentos semióticos, computacionais e epistemológicos das arquiteturas de inteligência artificial e apresentem hipóteses, modelos ou caminhos alternativos. O evento propõe um espaço de investigação, diálogo e experimentação sobre as relações entre sistemas de significação, inteligência artificial, poder tecnológico e pluralidade epistêmica.

A questão central que orienta a jornada é: como construir formas de inteligência artificial que não apenas reproduzam as arquiteturas técnicas, culturais e políticas dominantes, mas sejam capazes de acolher diferentes línguas, saberes, formas de vida e modos de produzir sentido?

agenda

Publicações

Publicação de dossiê na Texto Livre

A revista Texto Livre: Linguagem e Tecnologia publicou recentemente o dossiê Inteligências artificiais e suas interfaces com a vida social, a educação linguística, a multimodalidade e com o discurso, organizado pelos professores Francis Arthuso Paiva (UFMG), Záira Bomfante dos Santos (UFES), Fei Victor Lim (Nanyang Technological University) e Camila Cárdenas Neira (Universidad Austral de Chile).

O dossiê reúne 15 artigos e uma seção especial, que inclui uma resenha, um ensaio e uma entrevista. Dois dos artigos apresentam mapeamentos de pesquisas desenvolvidas em diferentes contextos, com destaque para trabalhos realizados no Brasil, em Singapura, na Espanha e em países da América Latina.

Os outros 13 artigos abordam questões relacionadas à educação linguística e semiótica. Neles são discutidas possibilidades de articulação entre processos de ensino e aprendizagem de linguagens e tecnologias de inteligência artificial generativa (IAG). As pesquisas foram desenvolvidas em diferentes países, entre os quais Brasil, Singapura, Indonésia, Macau, Inglaterra, Espanha, Uruguai, Chile e Estados Unidos.

lancamentos

Chamada de publicação

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Em 2026, a Semeiosis: semiótica e transdisciplinaridade em revista passou a adotar o fluxo contínuo. As submissões podem ser realizadas a qualquer momento, de acordo com as diretrizes de publicação.

O periódico propõe uma abordagem sistêmica e transdisciplinar do conhecimento científico, reunindo trabalhos de estudantes de graduação e pós-graduação, professores, artistas, pesquisadores e outros interessados nos fundamentos teóricos e conceituais da semiótica e na investigação de fenômenos geradores de sentido.

Criada pelo Grupo de Pesquisa Semiótica da Comunicação, que é coordenado pelos professores Irene Machado e Vinicius Romanini, do Departamento de Comunicações e Artes da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, a revista está atualmente vinculada ao Grupo de Pesquisa em Comunicação, Semiótica e Inteligência Artificial (SemIA), coordenado pelo professor Vinicius Romanini.

A revista adota uma concepção ampliada de semiose, considerando os processos de produção de significado em diferentes dimensões da cultura e estabelecendo relações entre informação, signos e fenômenos físicos, químicos e culturais. Essa perspectiva fundamenta sua proposta de uma semiótica transdisciplinar, dedicada à integração de diferentes campos do conhecimento.

A Semeiosis: semiótica e transdisciplinaridade em revista está classificada como B1 no Qualis Periódicos, quadriênio 2021–2024. Consulte as diretrizes para submissão em fluxo contínuo.

chamadas

Nota da semioticista

Retrato de Lucia Santaella

A semiótica para perscrutar a natureza

Lucia Santaella*

São muitas as correntes e tendências da semiótica. Tenho grande respeito por todas elas, pois, sem exceção, mantêm o estatuto de ciência, com teorias e metodologias confiáveis e, consequentemente, resultados relevantes. Para os estudantes, são áreas de formação e, para a sociedade, trazem a compreensão de um campo que só a semiótica é capaz de deslindar: como se dá a produção do sentido para os humanos. A semiótica em que me especializei e à qual dedico meu trabalho de pesquisadora, escritora e educadora é a semiótica filosófica de C. S. Peirce, a qual pratico com a responsabilidade que o conhecimento ético exige. Essa semiótica tem o estatuto de uma lógica no sentido amplo, não apenas dedutivo. Quando nos aprofundamos nessa lógica, ela passa a funcionar como um mapa mental para a decifração da realidade em suas várias dimensões, especialmente a intelectual.

Essa introdução tem a finalidade de justificar a amplitude de caminhos que a semiótica me abriu, entre os quais, a penetração no domínio da natureza. Isso começou com um projeto de meio ambiente na Amazônia, financiado pelo Cenpes, instituto de pesquisa da Petrobras. O objetivo era desenvolver novas ferramentas semióticas e cognitivas para a proteção da região frente à exploração do petróleo. O projeto foi infelizmente interrompido, mas me deu familiaridade com o meio, inclusive com as populações ribeirinhas.

O tempo passou, e minha especialização nas questões do mundo digital juntamente com minha proximidade com pesquisadores do Pará (em especial Kalynka Cruz) puseram em meu caminho um projeto de pesquisa sobre as transformações semióticas e sociais provocadas pela inserção dos celulares na vida das comunidades em aldeias no interior da Amazônia. O projeto se desenvolveu em três anos com resultados bastante significativos, publicados no livro Amazônia Digital (Estação das Letras e Cores, 2024). Nenhum projeto de pesquisa tem um ponto final. Ele sempre abre vias para sua continuidade. Nesse caso, obrigatoriamente, pois as antenas da Starlink foram instaladas por toda a Amazônia, deixando as populações despreparadas para enfrentar os dilemas do digital e os riscos da iminência de um colonialismo digital.

Diante disso, nasceu um novo projeto, aprovado pelo CNPq com o título de “Observatório Internacional em Colonialismo Digital”. A intenção é criar um pool de universidades nacionais e internacionais (17 universidades e com o apoio da Embaixada da França) para investigar como plataformas de conectividade e tecnologias de alcance global são implementadas sem processos transparentes de consulta, governança ou mediação ética, produzindo, consequentemente, novas formas de dependência tecnológica, assimetria semiótica e colonialismo de dados na Amazônia. O alvo do projeto é contribuir para o debate sobre regulação da inteligência artificial, direitos digitais indígenas e justiça semiótico-cognitiva.

* Lucia Santaella é pesquisadora 1 A do CNPq, graduada em Letras Português e Inglês. Professora titular no programa de Pós-graduação em Comunicação e Semiótica e no programa de Pós-graduação em Tecnologias da Inteligência e Design Digital, ambos da PUC-SP. Tem doutoramento em Teoria Literária na PUC-SP (1973) e Livre-docência em Ciências da Comunicação na ECA/USP (1993).

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